Coisas que andei (ou estou) lendo

Com o passar dos anos, uma coisa que me chamou a atenção é que, quanto mais eu escrevia roteiros para quadrinhos, menos eu os lia. Havia poucas coisas que realmente eram interessantes e havia ainda menos disposição. Nos últimos meses, voltei a ler alguma coisa, com um pouco mais de afinco e hoje, na falta de algo melhor para fazer ou escrever, vou comentar rapidamente sobre alguns deles.

Vingadores Secretos.

Vingadores - argh - secretos.

Vingadores – argh – Secretos.

Toda vez que há uma reformulação nas revistas da Marvel ou da DC, bate aquela vontade de se jogar novamente nesses mundos da minha infância e adolescência em busca de resquícios do brilho que emanava dos quadrinhos naquela época. E, com o advento das excelentes adaptações dos quadrinhos para os filmes da Marvel, achei que um bom ponto de partida seria esse vingadores secretos que traziam o Nick “Samuel L. Jackson” Fury, o gavião Arqueiro e a Viúva Negra dos filmes.

Ledo engano. Esses Vingadores Secretos são uma das piores coisas que eu já vi na minha vida. Ficou um misto de pastelão com filmes “B” ruins de ação.

Cavaleiro da Lua

Cavaleiro da Lua (versão 5 ?)

Cavaleiro da Lua (versão 5 ?)

Ainda é cedo para falar mas a nova versão de um dos personagens mais mal aproveitados do segundo escalão da Marvel parece prometer sob as mãos do competente Warren Ellis. Vamos esperar para ver o que vem por aí mas, nesta primeira edição, Warren traz um novo Cavaleiro da Lua de terno e gravatas brancas num roteiro competente.

Mulher Maravilha

Mulher Maravilha

Mulher Maravilha

Aqui sim, uma boa pedida da nova safra de hqs. Com o roteiro de Brian Azzarello (100 balas), a nova mulher-maravilha faz uma releitura de toda a mitologia com histórias muito bem escritas e interessantes. Os desenhos também são muito bons mostrando que dá pra fazer boas hqs de super-heróis.

Mal Eterno

Mal eterno

Mal eterno

A ideia de um mundo dominado por super bandidos parece bem interessante mas não conseguiu me fisgar. parei depois da primeira edição.

Feras

Feras

Feras

Violento ao extremo e mais um pouco, uma história de lobisomens diferente de tudo o que eu já havia lido. Muito boa mas não é para os de estômago fraco.

The Walking Dead

The Walking Dead

The Walking Dead

As hqs continuam sempre no mesmo ritmo intenso e competente. É sempre bom ver quais as surpresas que Robert Kirkman nos traz a cada edição puxando os personagens cada vez mais. A fase da TV também está excelente. Recomendadíssimo.

100 Balas

100 balas

100 balas

Finalmente consegui terminar a fantástica série de Brian Azzarello e Eduardo Risso. Uma das melhores hqs dos últimos tempos. A forma como os dois narram essa saga é simplesmente uma aula de roteiro.

Prophet

Prophet

Prophet

A hq é considerada por muitos leitores e, embora possa parecer interessante achei um saco a forma demorada e, de certa forma, desconexa como o roteirista leva adiante a exploração do personagem título a um mundo completamente novo. Pode ser boa mas não me fisgou também.

O legado de Júpiter

O Legado de Júpiter

O Legado de Júpiter

Li apenas duas edições mas fiquei curiosíssimo a respeito dessa hq de Mark Millar e Frank Quitely sobre uma família de super-heróis que, entre uma aventura e outra para salvar o mundo, tem que enfrentar as tensões familiares entre pais e filhos ou entre irmãos. Mark Millar escreve bem pra caramba (Quando quer) e Frank Quitely despensa apresentações.

Y, o último homem

Y, o Último homem

Y, o Último homem

Chegou ao fim dessa breve lista com uma outra série espetacular mas que nunca tinha conseguido dar continuidade por diversas razões. É muito bom acompanhar as aventuras de Yorick num mundo onde só existem mulheres.

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Encruzilhadas

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Ilustração de Jean Okada que conseguiu me deixar até simpático diante da Mirza.

Os últimos meses tem sido particularmente difíceis para mim no que se refere a quadrinhos. Talvez não só a quadrinhos mas neles, principalmente, isso fica mais evidente para mim. Não consigo me concentrar em nenhum projeto em particular e ao mesmo tempo não tenho forças para levar mais nenhum projeto adiante por conta própria. Não parece existir mais parcerias, mais revistas, mais contatos e, principalmente, não parece existir mais em mim aquele gás para correr atrás de tudo isso.

Fico esperando os convites para ver se eles criam uma força motora e um senso de priorização e importância para levar adiante roteiros e hqs mas eles são raros e quase inexistentes.

Pode parecer uma reclamação contra os outros mas na verdade (e hoje consigo enxergar isso com uma clareza cristalina), trata-se de uma reclamação consigo mesmo. Eu precisaria definir qual projeto levar adiante, contatar e convencer (Seja com argumentos, seja com dinheiro) um artista a desenhá-lo e procurar um lugar relevante para publicar a hq. Há 10 anos atrás isso tudo seria encarado como meras formalidades. Hoje, parece-me tão cansativo.

Por outro lado, há essa vontade insaciável de escrever. De contar histórias. De apresentar personagens. De tentar fazer com que os outros fiquem tão cativados por esses personagens e histórias como eu fico.

E aqui estou eu nessa encruzilhada. Com o desejo de seguir adiante mas sem a mesma força de antes. Vamos ver o que o futuro me reserva.