Encruzilhadas


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Ilustração de Jean Okada que conseguiu me deixar até simpático diante da Mirza.

Os últimos meses tem sido particularmente difíceis para mim no que se refere a quadrinhos. Talvez não só a quadrinhos mas neles, principalmente, isso fica mais evidente para mim. Não consigo me concentrar em nenhum projeto em particular e ao mesmo tempo não tenho forças para levar mais nenhum projeto adiante por conta própria. Não parece existir mais parcerias, mais revistas, mais contatos e, principalmente, não parece existir mais em mim aquele gás para correr atrás de tudo isso.

Fico esperando os convites para ver se eles criam uma força motora e um senso de priorização e importância para levar adiante roteiros e hqs mas eles são raros e quase inexistentes.

Pode parecer uma reclamação contra os outros mas na verdade (e hoje consigo enxergar isso com uma clareza cristalina), trata-se de uma reclamação consigo mesmo. Eu precisaria definir qual projeto levar adiante, contatar e convencer (Seja com argumentos, seja com dinheiro) um artista a desenhá-lo e procurar um lugar relevante para publicar a hq. Há 10 anos atrás isso tudo seria encarado como meras formalidades. Hoje, parece-me tão cansativo.

Por outro lado, há essa vontade insaciável de escrever. De contar histórias. De apresentar personagens. De tentar fazer com que os outros fiquem tão cativados por esses personagens e histórias como eu fico.

E aqui estou eu nessa encruzilhada. Com o desejo de seguir adiante mas sem a mesma força de antes. Vamos ver o que o futuro me reserva.

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4 comentários sobre “Encruzilhadas

  1. Não sou profissional em nada do que faço, mas arranho como tradutor e editor de livros de RPG (jogos narrativos). Não é um trabalho fácil, principalmente por se tratar de um nicho de mercado dentro de outro (dentro do universo dos livros e publicações, os livros jogos [RPGs] são uma minoria). Pouquíssimo retorno financeiro (quando há), poucos parceiros e poucas pessoas que posso confiar para terminarem o trabalho ao meu lado.

    Não foram poucas as vezes que pensei em desistir e deixar tudo de lado (ao menos uma vez por mês tenho um ataque “artístico suicida”). Mas penso nas amizades que consegui fazer, olho para trás e vejo o pouco trabalho que realizei com um esforço tremendo e como é bom vê-lo finalizado, organizado e publicado. Dá um sensação de liberdade, de que nada pode me deter.

    Acho que desistir não é o caminho, ao menos não foi para mim, decidi ampliar os horizontes e buscar parcerias e objetivos que nunca me aviam passado na cabeça – decidir ser mais ousado. Sempre trabalhei com RPG e sua forma excêntrica de contar histórias em roteiros improvisados num processo compartilhado. Apesar das dificuldades em produzir, decidi ampliar e hoje estudo roteiro e arte direcionada a quadrinhos e esbarrei em teu material.

    Sabe o que me dá força? Quando alguém me diz “poxa, gostei do teu trabalho”. Não quero rios de dinheiro, nem fama. Reconhecimento, bate-papo com pessoas que curtem o trabalho que faço é a minha principal força. Quando leio comentários simples sobre o que faço, ou quando pessoas me procuram referente a meu trabalho, me sinto revigorado, sinto que vale a pena.

    Gostei demais das coisas que você escreve e tive oportunidade de conhecer e acho que com novos horizontes, novas amizades e parceiras, ousadia, coragem e toda essa merda que parece brotar em livros de auto-ajuda, você vai longe. Não falo por falar quando digo que, se um dia me tornar um artista descente, como me empenho no momento, espero trabalharmos juntos.

    Não desista. Tudo o que precisamos para realizar algo é alguém que acredite que possamos realizar.

  2. É Leo, você já tem muito chão nessa estrada – natural que se canse depois de tanta batalha.
    Mas esse bichinho do quadrinho não nos deixa em paz. Você deixa ele lá, debaixo de uma pilha de contas pra pagar, papéis, documentos… mas ele fica quietinho, só esperando a hora de lhe dar aquele comichão nas mãos, aquela ansiedade de ler…
    Enfim, nosso emocional é assim, como ondas que vem e vão. Logo você estará de volta ao campo de batalha!
    Grande abraço!

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