Reflexões de um roteirista: O esqueleto

esqueleto-esperando

Eu acho que já falei sobre isto em outra oportunidade mas, se for o caso, vou pedir licença para tocar novamente no assunto.

Como disse, quando vou escrever um roteiro, normalmente começo com uma ideia que vou desabrochando de uma forma rude, grosseira e despreocupada até encontrar realmente o que desejo mostrar e falar.

Nós, roteiristas nacionais, normalmente não temos uma restrição de páginas com as quais trabalhar. Porém, isto pode acontecer e, neste caso, é preciso verificar se o que você desejou trabalhar vai caber dentro da restrição de páginas imposta. No caso das Novas Amazonas, eu mesmo estipulei um padrão de 20 páginas por hq (A partir da quarta hq). Não que precisasse mas eu sempre gostei de padronizações, de ordem. Coisas de libriano, eu acho.

Assim sendo, eu enumero todas as páginas e escrevo um breve resumo do que eu vou colocar naquela página.

Exemplo:
PÁGINA 1: CLOSE EM ATHENA CHAMANDO PARA A BRIGA.
PÁGINA 2: ATHENA E ISOLDA TREINANDO, APRESENTAÇÃO DO CENÁRIO, DA LOCAÇÃO. HELENA, QUE ESTÁ SENTADA À PARTE, GRITA DICAS PARA ATHENA.
PÁGINA 3: ATHENA E ISOLDA LUTANDO. ZOE, OLÍMPIA E HELENA CONVERSANDO.

E assim por diante…

Esta “técnica” permite que eu enxergue exatamente se vou ter o espaço necessário para desenvolver a história como eu havia imaginado. Algumas vezes eu percebo que não vai dar e é preciso repensar a história. Tomar decisões do tipo: Desenvolvo melhor a parte inicial e deixo essa parte que não cabe para uma outra história ou corto cenas e ações condensando ainda mais a história. Em todos os casos é sempre melhor tomar a decisão que valorize mais a história (Mesmo que isto signifique ter mais trabalho e dividir uma história em duas partes).

Porém, há aqueles casos em que você está escrevendo uma história única (Uma hq de terror, por exemplo), na qual precise começar, desenvolver e terminar dentro daquele número restrito de páginas. Aí não tem jeito. Tem que cortar e reescrever cenas e, até mesmo, páginas inteiras.

Bom, no caso específico dessa hq das novas amazonas, tudo está de acordo com o esperado. Quer dizer, mais ou menos. Eu sei como quero terminar a hq mas ainda não decidi exatamente quais as ações que vão se desenrolar para chegar neste final. Ainda tenho 3 páginas (18,19 e 20) que precisam dessas definições. Somente depois de decidir o que vai acontecer é que posso começar a escrever a hq. Bom, na verdade eu já podia começar a escrever e deixar para decidir este final (Que eu já sei como eu quero que acabe mas que preciso definir as ações que levam a este final) quando estivesse me aproximando delas mas, neste caso, vou decidir primeiro e começar a escrever depois.

Já houve casos em que eu comecei a escrever o roteiro mesmo tendo algumas dúvidas sobre o final e quando chegou o momento de escrever este final é que eu decidi o que iria acontecer.

Ou seja, são técnicas e “regras” que ora eu aplico e ora eu ignoro ao meu bel prazer. Mas, se você estiver começando a se aventurar na arte de escrever roteiros, eu lhe aconselharia a fazer o exercício inteiro antes de começar a escrever de fato.

Depois do “esqueleto” pronto, escrever o roteiro fica muito mais fácil, rápido e fluido. Ainda tem o problemas das falas e textos que quase sempre são complicados de desenvolver (Escrever diálogos é uma arte a parte que eu confesso ainda estar engatinhando) mas, com o norte definido, alcançá-lo é uma questão de tempo.

Espero que vocês tenham curtido mais este papo sobre a obscura arte de escrever roteiros para hqs no Brasil.

Reflexões de um roteirista: iniciando um roteiro

Writers-Block

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que isto não é um artigo.

Está mais para um fluxo de consciência mais ou menos dirigido, controlado. É onde eu irei lançar sem muitas pretensões, organização e objetivos definidos, pensamentos que tenho a respeito dos trabalhos em andamento. Pode-se dizer que será um misto de conversa interior com confissão (ou testemunho). É onde irei dizer o que estou fazendo, por que estou fazendo, quais os problemas que estou enfrentando e quais as soluções, ideias e direções que estou tomando. Tudo isto, é claro, oferecendo o mínimo de spoilers necessários.

Vou começar com o roteiro mais novo das novas Amazonas.

Como eu já esperava, a história chega sempre antes do título. O título para esta sétima hq das novas amazonas ainda não está definido. Já mencionei anteriormente que tenho este tipo de problema com os títulos. Eles são, quase sempre, a última coisa a me preocupar e uma das mais difíceis de se escolher (Bem, quase sempre, é verdade). Por enquanto ele se chama “As novas Amazonas 007.docx”.

Comecei este roteiro mais ou menos como eu começo sempre: o que eu quero mostrar nesta história?

Quero dizer, não penso em tudo o que eu quero mostrar ou falar, mas a ideia principal. Neste caso, eu queria que, depois da última aventura, as novas amazonas tivessem um momento de descanço antes do evento que iria bagunçar com todos os planos delas.

Bem, depois de decido que mostrar, fui escrevendo esta decisão na forma de um brainstorm mesmo. Quase como um detalhamento do roteiro de forma grosseira. Algo mais ou menos assim:

“Nesta história, Isolda treina Athena. Athena conversa com Helena. Lolita e Jasmim saem para procurar mantimentos. É uma história bem leve até que, do meio para o final, …”

Escrevi mais algumas linhas gerais explicando o que ia acontecer com as personagens (Cada uma delas) nesta história e, de quebra, já adiantei neste brainstorm, algumas ideias para as próximas aventuras (ou melhor, as linhas gerais para as próximas).

Para facilitar ainda mais o meu trabalho, depois de rascunhar a ideia geral da história, tentei detalhar ainda mais algumas coisas que iriam acontecer na história. Sempre sem me preocupar se daria para mostrar tudo o que eu queria na hq ou não. Preocupei-me, neste momento, em, simplesmente, distibuir as personagens e suas ações ou intenções principais.

De posse dessas informações iniciais, chegou o momento de construir um esqueleto da história para saber o que dava para mostrar e em que ordem elas seriam apresentadas. Mas eu deixo para falar sobre isto em uma outra oportunidade.

Novas Amazonas: Cães Selvagens página 13

Detalhes - Cães Selvagens(Por Leo S e Mauro Barbieri) Pag 13

Detalhe – Cães Selvagens(Por Leo Santana e Mauro Barbieri) Pag 13

Helena aceita a ajuda de Ícaro e Valentim para acabar com a matilha de cães selvagens mas se eles pensam que ela irá baixar sua guarda por conta disto, eles estão muito enganados.

Com roteiro meu e arte de Mauro Barbieiri, esta hq intitulada “Cães Selvagens”, dAs Novas Amazonas, é atualizada semanalmente. Para lê-la, clique aqui. Por favor, comentem.Seus comentários são a nossa remuneração.

Para ler as hqs anteriores das Novas Amazonas, clique nos títulos: “Homem bom é homem morto” , “Antigas Histórias” e “Mais intenso que a vida, maior que a própria morte”.

Quer saber mais sobre As Novas Amazonas? Clique aqui. E veja a galeria com as personagens aqui. Se quiser, mande uma ilustração para a gente postar na galeria.

Novas Amazonas: Cães Selvagens página 12

Detalhes - Cães Selvagens(Por Leo S e Mauro Barbieri) Pag 12

Detalhes – Cães Selvagens(Por Leo Santana e Mauro Barbieri) Pag 12

Quando tudo parecia perdido, Helena recebe a inesperada ajuda de dois homens: Ícaro e Valentim. Mas Helena ainda vê com restrições a benevolência destes dois estranhos.

Com roteiro meu e arte de Mauro Barbieiri, esta hq intitulada “Cães Selvagens”, dAs Novas Amazonas, é atualizada semanalmente. Para lê-la, clique aqui. Por favor, comentem.Seus comentários são a nossa remuneração.

Para ler as hqs anteriores das Novas Amazonas, clique nos títulos: “Homem bom é homem morto” , “Antigas Histórias” e “Mais intenso que a vida, maior que a própria morte”.

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O artista que eu sou e o artista que eu queria ser

Olhos negros Leonardo

O artista que eu sou é tímido, eremita, avesso às badalações, anti-social. O artista que eu queria ser é superstar, adora badalações, adora aparecer em eventos e gosta que seu nome esteja sempre em evidência.

O artista que eu sou não se dedica de corpo e alma aos quadrinhos da mesma forma que se dedica ao trabalho do “mundo real”. O artista que eu queria ser só enxerga e só se dedica realmente à sua arte e todo o resto é apenas uma distração momentânea.

O artista que eu sou não consegue trabalhar muito bem sem um objetivo definido. O artista que eu queria ser cria os objetivos e sempre tem uma nova meta a ser alcançada.

O artista eu sou consegue trabalhar pesado quando é para colaborar com algum convite. O artista que eu queria ser gostaria de trabalhar duro todos os dias independentemente de ter sido convidado ou não para algum projeto.

O artista que eu sou não consegue se focar em novos trabalhos enquanto não tem ao menos alguns dos já produzidos nas mãos de algum desenhista. O artista que eu queria ser consegue produzir um trabalho atrás do outro incessantemente independente dos trabalhos já prontos estarem sendo produzidos ou não.

O artista que eu sou é muito inseguro e crítico em relação ao próprio trabalho e nunca tem certeza quando algo está bom ou não. O artista que eu queria ser tem uma confiança inabalável na qualidade de seu trabalho.

O artista que eu sou, de vez em quando, tem vontade de jogar tudo para o alto e abandonar tudo isto. O artista que eu queria ser é mais feliz e se sente realizado com sua arte.

O artista que eu sou não tem a mesma disposição que eu tinha anos atrás. O artista que eu queria ser continua jovem no espírito e na determinação.

O artista que eu sou é invejoso. O artista que eu queria ser é invejado.

O artista que eu sou é angustiado, pesado, preso em conflitos internos constantes. O artista que eu queria ser é livre, leve,solto, está se fodendo para os problemas e só quer saber de curtir a vida em toda a sua magnificência.

Espero que, algum dia, o artista que eu sou possa se encontrar com o artista que eu queria ser. Mas, se isto não acontecer, que Deus me dê forças para continuar a fazer aquilo que eu realmente amo que é contar histórias.

Novas Amazonas: Cães Selvagens página 11

Detalhe - Cães Selvagens(Por Leo S e Mauro Barbieri) Pag 11

Detalhe – Cães Selvagens(Por Leo S e Mauro Barbieri) Pag 11

Olímpia desmaiada e Helena cercada por uma matilha de cães enfurecidos.  Parece que este é o fim das duas amazonas.

Com roteiro meu e arte de Mauro Barbieiri, esta hq intitulada “Cães Selvagens”, dAs Novas Amazonas, é atualizada semanalmente. Para lê-la, clique aqui. Por favor, comentem.Seus comentários são a nossa remuneração.

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Novas Amazonas: Cães Selvagens página 10

Detalhe - Cães Selvagens(Por Leo S e Mauro Barbieri) Pag 10

Detalhe – Cães Selvagens(Por Leo S e Mauro Barbieri) Pag 10

Helena e Olímpia traçam uma linha de resistência para poder dar tempo das outras Amazonas fugirem com o corpo inconsciente de Isolda. Porém, as feras são muitas e, talvez, nem mesmo toda a bravura das duas poderá salvá-las deste cerco selvagem.

Com roteiro meu e arte de Mauro Barbieiri, esta hq intitulada “Cães Selvagens”, dAs Novas Amazonas, é atualizada semanalmente. Para lê-la, clique aqui. Por favor, comentem. Seus comentários são a nossa remuneração.

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