Alan Moore – Watchmen 1 – Página 1

O Roteirista

Ala Moore

Alan Moore é roteirista britânico de histórias em quadrinhos famoso por revolucionar as hqs com as séries V de Vingança, Miracleman e Watchmen. Moore começou a ficar famoso ainda quando trabalhava para revistas britânicas como a Warrior. Posteriormente, foi contratado pela editora americana DC Comics para produzir histórias do Monstro do Pântano, vindo a publicar posteriormente dois dos trabalhos mais importantes e premiados de sua carreira: A Piada Mortal e Watchmen. Foi vencedor de diversos prêmios como o Hugo e o Eisner. No final dos anos 1980, por questões de direitos autorais, o autor rompeu com a DC Comics e se distanciou dos quadrinhos mainstream. Durante esta época, ele publicou HQs independentes pelo seu próprio selo, Mad Love, e pela editora Image Comics. Além de roteirista, Alan Moore também é romancista, tendo publicado dois romances: A Voz do Fogo e Jerusalém. (Fonte: wikipedia)

A Série

Watchmen é uma série de história em quadrinhos escrita por Alan Moore e ilustrada por Dave Gibbons, publicada originalmente em doze edições mensais pela editora estadunidense DC Comics entre 1986 e 1987.  Watchmen é considerada um marco importante na evolução dos quadrinhos nos EUA: introduziu abordagens e linguagens antes ligadas apenas aos quadrinhos ditos alternativos, além de lidar com temática de orientação mais madura e menos superficial, quando comparada às histórias em quadrinhos comerciais publicadas naquele país.  A série foi ovacionada com vários Prêmios Kirby e Eisner, incluindo o de “Melhor Minissérie”, além de uma honraria especial no tradicional Prêmio Hugo, voltado à literatura. Watchmen também é a única história em quadrinhos presente na lista dos 100 melhores romances eleitos pela revista Time desde 1923.
A trama de Watchmen é situada nos EUA de 1985, um país no qual aventureiros fantasiados seriam realidade. O país estaria vivendo um momento delicado no contexto da Guerra Fria e em via de declarar uma guerra nuclear contra a União Soviética. A mesma trama envolve os episódios vividos por um grupo de super-heróis do passado e do presente e os eventos que circundam o misterioso assassinato de um deles. Watchmen retrata os super-heróis como indivíduos verossímeis, que enfrentam problemas éticos e psicológicos, lutando contra neuroses e defeitos, e procurando evitar os arquétipos e super-poderes tipicamente encontrados nas figuras tradicionais do gênero. Isto, combinado com sua adaptação inovadora de técnicas cinematográficas, o uso frequente de simbolismo, diálogos em camadas e metaficção, influenciaram tanto o mundo do cinema quanto dos quadrinhos.
Uma adaptação para o cinema foi lançada em 6 de março de 2009. (Fonte: Wikipedia)

Roteiro Traduzido

 

Página Quadrinizada

 

Considerações

O estilo de Alan Moore para escrever suas cenas é considerado por muitos como um dos mais completos e prolixos dentro dos quadrinhos. Ele costuma dedicar até mesmo mais de uma página para descrever um único quadro. Para se ter uma ideia, no roteiro de “A piada Mortal”, Moore gastou quase duas páginas e meias para descrever o primeiro quadro que, na verdade, mostrava apenas gotas de chuva caindo numa poça d’água.

A razão por trás disto é que ele costuma pensar em todos os aspectos que rodeiam não só o quadro em si, como também a sua composição em relação a toda a página e, até mesmo, a história como um todo (No caso da “Piada Mortal”, ele sugeriu até mesmo aspectos de impressão da contracapa da edição). Um exemplo disto está na descrição do primeiro painel onde ele sugere ao desenhista que ele talvez possa diferenciar visualmente o recordatório onde aparece os textos referentes ao diário de Rorschach:

“Menciono isso caso você ache que poderia ser bom diferenciar visualmente o diário de Rorschach e quaisquer outros recordatórios que possam ocorrer dando a ele uma cor diferente, um formato diferente ou um estilo de letreiramento ou coisa assim”

O cuidado na construção do roteiro e o detalhamento apresentados demonstram que Moore dedicou muitas horas desenvolvendo a história e que todos os elementos dela foram exaustivamente pensados (e pesados) e colocados com um propósito muito bem definido pelo autor. Nada está ali “por acaso”, o que demonstra o esmero na decupagem do roteiro de Moore.

O excesso de descrição, no entanto, tende a cansar e aborrecer alguns desenhistas que querem partir o quanto antes para o trabalho em si. Moore aparenta saber disso e procura sempre começar seus roteiros dando uma certa injeção de ânimo e motivação nos desenhistas.

“Tudo bem. Estou ligadaço, tenho sangue até os cotovelos, veias nos dentes e meus capacetes e joelheiras estão bem presos no lugar. Vamos sair e provocar confusão!”

E, embora seja sempre melhor pecar por excesso e fornecer mais informações do que deixar o desenhista tomar todas as decisões sozinho, algumas vezes o efeito que ocorre é justamente o contrário: o de inserirmos uma série de informações que não vão ser utilizadas gerando apenas um volume de texto a mais a ser lido. No nosso roteiro de exemplo, Moore dedica algumas linhas durante a descrição do primeiro painel para mencionar a possibilidade de se incluir um pacote de balinhas de chocolate que, no final, ficaram de fora da versão final da página construída. Algumas vezes, Moore acaba criando coisas que são impossíveis para o desenhista produzir. No quadro 3, por exemplo, Moore descreve que o personagem está olhando para baixo, fazendo uma cara de incompreensão, mas a cena é vista de cima o que tornaria extremamente difícil para o desenhista atingir os dois objetivos uma vez que eles são retratados de ângulos opostos:

“Aqui, ele está olhando para o sangue que flui sobre as pontas de seus sapatos feios e semi-apodrecidos com cara de incompreensão e assombro, com a boca aberta como um imbecil.”

Watchmen 1, pag 1, quadro 3

Quadro 3 da página 1

Por fim, saindo da parte “técnica” e indo para o estilo, esta página de hq apresenta uma característica que considero muito positiva na construção de uma história: O storytelling (ou narrativa visual). Moore faz a imagem flutuar lentamente para cima, envolvendo o leitor visualmente na história enquanto o texto extraído do diário de Rorschach que é apresentado o obriga a consumir lentamente estas imagens fazendo a sua imersão ser completa.

Conclusões

Alan Moore é um gênio na arte de construir e contar uma história e,revolucionou o mercado elevando os roteiristas ao status de celebridades. Seus roteiros são extremamente detalhados e construídos com muito cuidado e perfeição e, ao observarmos a fundo estes trabalhos, fica fácil de entender o porquê de seu sucesso.

Engana-se que o roteiro é um trabalho menor, mais simples, mais fácil do que o que é feito em comparação com o desenhista. Quando feitos com profissionalismo e seriedade, as duas artes são extremamente importantes e trabalhosas.

Contudo, embora caiba ao roteirista fornecer o máximo de informações para que o desenhista possa executar o seu trabalho da melhor forma a alcançar a sua visão proposta, cabe a ele também saber dosar a quantidade de informação pra não soterrar o desenhista com um excesso de informações inúteis ou desnecessárias.

Se há muito o que aprender lendo as hqs de Alan Moore, muito mais podemos nos aprofundar em sua arte lendo seus roteiros na íntegra.

Roteiro original

Alan Moore – Script – Watchmen 1 – Page 1

 

E vocês? o que acharam desta análise? Comentem aí e sugiram outros roteiros e roteiristas para que eu possa comentar.

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