Jason Aaron – Escalpo 35 – Página 6

O Roteirista

2886908-jason_aaron1Jason Aaron é roteirista de histórias em quadrinhos americanas mais conhecido no Brasil pela série Escalpo, publicado pelo selo Vertigo, da DC Comics. Jason foi indicado ao Eisner Award de “Melhor Escritor” em 2015 por seu trabalho nas séries Original Sin, Thor, Men of Wrath e Southern Bastards. No ano seguinte, sairia vencedor na mesma categoria, e Southern Bastards, indicada ao Eisner Awards na categoria “Melhor Série”, também seria premiada. (Fonte: Wikipedia)

A Série

Scalped é uma série de revistas em quadrinhos americanas do gênero faroeste que foi publicada originalmente pela Vertigo Comics entre 2007 e 2012. Escrita por Jason Aaron e ilustrada por R. M. Guéra, a série se passa numa fictícia reserva indígena na Dakota do Sul, denominada “Rosa da Pradaria”, onde índios remanescentes da tribo Oglala Lakota lidam com o crime organizado, altos índices de pobreza, alcoolismo e vício de entorpecentes em meio à luta pela preservação de sua identidade cultural. Aaron, originalmente, pretendia escrever em Scalped, uma nova versão do personagem Scalphunter, mas, conforme o planejamento da série avançava, o conceito acabaria sendo abandonado em favor de uma trama original. (Fonte: Wikipedia)

Roteiro Traduzido

Tive uma certa dificuldade para manter a formatação original do roteiro e, por isto, preferi colocá-lo como imagens.

Página Quadrinizada

Considerações

Esta é a roteirização de uma página considerada estática. Os personagens não estão realmente fazendo alguma coisa muito relevante mas, mesmo assim, o roteirista consegue colocar alguma ação entre os quadros de forma a reforçar suas características pessoais,  apresentar a banalidade de suas ações (ou o tédio de suas vidas) e tirar o véu para aspectos emocionais de suas vidas. Assim sendo, apesar da força da página residir não nos quadros mas nos textos que são apresentados, há um contraponto visual interessante sendo apresentado ao leitor ao mesmo tempo.

Jason Aaron parece se preocupar ainda menos com planos e ângulos do que Warren Ellis, mas ele tem uma preocupação maior com a formatação do roteiro em si. A começar pela capa onde informa o título do roteiro, o autor, o número da edição e outras informações relevantes. No de Warren Ellis eu não coloquei, mas a capa era bem básica, como vocês podem ver a seguir:

GLOBAL FREQUENCY
10
SUPERVIOLENCE
22pp
WARREN ELIS

Uma outra coisa a se verificar é que ele faz uma apresentação inicial dos personagens da história antes do início do roteiro em si (notas dos personagens). Ele poderia ter feito isso já nos quadros do roteiro, mas o fato de ter separado uma seção à parte antes do início do roteiro já permite que o desenhista mergulhe no roteiro com uma visão preliminar do que ele vai encontrar. No meu modelo de roteiro padrão eu tenho uma seção separada para a apresentação dos principais personagens da história de uma forma mais detalhada do que o Jason Aaron e também outras seções para sinopse e outras informações básicas necessárias para o desenhista.

Eu também gostaria de destacar a preocupação que o roteirista teve em adicionar referências visuais específicas para o desenhista através de links. Isso ajuda muito mais do que um extensa e detalhada descrição do que o roteirista pretende mostrar e, consequentemente, facilita imensamente a vida do desenhista. Eu uso tanto referências visuais que no meu modelo de roteiro padrão eu tenho uma apêndice específico apenas para referências visuais. Ao contrário de Jason Aaron eu não costumo usar links pois, ao contrário dele, eu nunca sei quando um roteiro meu será desenhado e referências na internet podem existir hoje e não existirem mais amanhã. Portanto, prefiro anexar a imagem em si no roteiro nesta seção específica.

Por fim, esta única página de roteiro, nos ensina duas coisas muito interessantes para se ter no pensamento quando você está escrevendo um roteiro.

Primeiro, que não precisamos colocar textos que mostrem exatamente o que os personagens estão fazendo. Você não vê o Mace cuidando do jardim ou a Hazel dizendo que está fazendo uma colcha. Isto se chama redundância e você precisa fazer com que imagem e palavras trabalhem se complementando e não se sobrepondo umas às outras.

Segundo que, mesmo quando os personagens não estão fazendo nada, eles sempre estão fazendo alguma coisa: seja acendendo um cachimbo, costurando uma colcha ou olhando para o infinito perdido em seus pensamentos. Ou seja, evitem às famigeradas “cabeças falantes” que são os recursos utilizados quando o roteirista só mostra as pessoas falando sem colocá-las executando nenhuma outra ação específica (como acender um cachimbo, por exemplo).

Conclusões

O ponto forte nesta página de roteiro de Jason Aaron está nos textos atribuídos aos personagens Mace e Hazel. E, embora a descrição dos quadros seja bem leve, ele tem uma preocupação de colocar os detalhes corretos (inclusive adicionando links com referências visuais precisos para o desenhista).

Nela, o roteirista mostra nuances das personalidades dos personagens (Mace acha que engana Hazel com seu cachimbo de milho, mas, na verdade, não), aspectos de suas vidas duras e secas (Ele como ranger aposentado, ela sempre costurando) e o reflexo de sua maior perda (a morte de Jodie).

O roteirista também não utiliza de cacoetes comuns de roteiristas inexperientes que são a redundância e o uso das “cabeças falantes”.

Apesar da formatação do roteiro ser bastante profissional e organizada, tornando, assim, a sua leitura agradável para o desenhista, Jason Aaron tem a maestria de conduzir uma trama fortemente emocional de maneira leve (para o desenhista) e impactante (para o leitor).

Com tudo isto, percebemos mais uma vez que o trabalho do roteirista é uma atividade muito específica que tem que estar atenta aos mínimos detalhes de construção de uma página e de uma cena.

Roteiro original

Scalped 35 - script - cover

SCALPED_35

 

E vocês? o que acharam desta análise? Comentem aí e sugiram outros roteiros e roteiristas para que eu possa comentar.

 

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