Jeff Smith – Rose – Página 21

O Roteirista

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Jeff Smith (McKees Rocks, 27 de fevereiro de 1960) é um cartunista norte-americano, mais conhecido como criador da série de história em quadrinhos “Bone“. Ele também trabalhou para a Walt Disney como animador. Reside atualmente em Columbus, Ohio. Smith é o vencedor de nove Prêmios Harvey: “Melhor Cartunista” em 1994, 1995, 1996, 1997, 1999, 2000, e 2003, “Prêmio Especial de Humor” em 1994 e “Melhor Coletânea” por Bone: Complete Adventures em 1994. Vencedor do Prêmio Eisner como melhor roteirista-ilustrador, do Prêmio Yellow Kid, do Salão De Luca, dentre outros. (Fonte: wikipedia)

A Série

Rose é uma minissérie americana de quadrinhos , um prequela dos quadrinhos da série Bone . Foi escrito pelo criador de Bone, Jeff Smith, e ilustrada por Charles Vess, que ganhou uma indicação do prêmio Eisner por seu trabalho neste projeto. A história foi originalmente publicada como uma minissérie de três números e foi posteriormente incluída nas coleções comerciais e de capa dura comercial.

Quando um dragão aterrorizante ataca as pequenas cidades do Vale do Norte, a jovem princesa Rose deve vencê-la. A besta é realmente um mal antigo, o Senhor dos Gafanhotos, e enquanto Rose enfrenta o perigo com honra, sua irmã mais velha, a Princesa Briar, segue um caminho mais sinistro. (Fonte: Wikipedia)

Roteiro & Página Quadrinizada

Considerações

O roteiro hoje apresentado é do tipo leiautado e é um formato utilizado principalmente por roteiristas que são, antes de tudo, desenhistas ou que possuem alguma aptidão artística mínima para a ilustração. Embora seja desejável, isto não é uma regra obrigatória de ser seguida como é o caso de Harvey Pekar que costuma fazer seus roteiros utilizando bonecos de palitinhos para fazer a narrativa andar (veja um exemplo aqui).

O roteiro leiautado é caracterizado pelo fato de que não há descrições das cenas. Tudo é passado para o desenhista através de esboços das páginas (inclusive os textos e diálogos a serem exibidos na história). O que há, quando muito, são pequenas notas indicando algum detalhe a ser observado quando o desenhista for confeccionar aquela página (Vide quadro 1 e 4 do roteiro leiautado). Quanto melhor o domínio da arte da ilustração mais informações visuais o roteirista pode passar para o desenhista. A máxima de que uma imagem vale mais do que mil palavras aplica-se com perfeição nestes casos. O roteirista pode passar não só o conteúdo conceitual de cada cena, como também a definição de ângulos e planos, além da representação facial das emoções dos personagens.

Quando o roteiro é leiautado, as ambiguidades e erros tendem a diminuir uma vez que o desenhista não precisa entender ou entrar no clima do que o roteirista está tentando lhe passar através das palavras. Afinal de contas, um desenho de um rosto passando determinada emoção é mais direto e certeiro de ser desenhado na dimensão exata desejada pelo escritor do que se ele tentasse passar isso através de uma descrição (por mais detalhada que fosse).

Como mencionamos aqui, este tipo de formato de roteiro é o que o escritor tem o maior controle possível sobre o trabalho do desenhista, criando-lhe amarras invisíveis ainda mais fortes e tolhendo quase toda a sua criatividade. Mesmo assim, no caso aqui apresentado, vemos que há espaço para melhoras e o desenhista acaba mudando um pouco alguns enquadramentos para melhor apresentar visualmente a proposta feita pelo roteirista. Um exemplo disto pode ser visto no quadro 3 onde dois cavaleiros conversam. Note que o rascunho feito pelo roteirista era muito mais simples e visualmente pobre enquanto a solução final assinada pelo ilustrador reorganizou a cena deixando-a mais agradável aos olhos e mantém a proposta do escritor.

Jeff Smith - Rose - Página 21-quadro 3-comparação

Comparação do quadro 3 entre o roteiro leiautado e a página publicada

Neste roteiro, o ilustrador resolveu seguir quase todas as sugestões propostas pelo roteirista, fazendo apenas pequenos ajustes quando necessário. Mas isto nem sempre pode acontecer pois, como em quase todas as histórias em quadrinhos feita a quatro mãos, a palavra final quanto ao visual sempre acaba sendo a do desenhista. Porém, quando o escritor utiliza este formato de roteiro, as intervenções dos desenhistas acabam sendo cada vez menores e bastante pontuais.

Uma última vantagem observada neste tipo de roteiro é que não há riscos de o escritor querer colocar mais coisas do que o possível numa cena ou numa página. Uma das maiores queixas dos desenhistas é quando o escritor inventa de colocar muita informação e quadros numa única página sem verificar realmente como isto vai ficar depois que a página for desenhada. Quando aplicamos o roteiro leiautado, fica imediatamente visível se o conteúdo proposto cabe dentro dos limites de quadro e de página.

Conclusões

O roteiro leiautado é muito interessante para quem tem algum domínio narrativo-visual e dá ao roteirista o controle quase que absoluto sobre a história e sobre sua narrativa visual tornando o desenhista um mero “aplicador” do imaginado pelo escritor.

Este tipo de roteiro acaba tendo um processo de produção ligeiramente mais rápido e fácil do que quando o roteiro é totalmente descritivo (full script), agilizando bastante esta fase da confecção de uma história em quadrinhos.

A desvantagem é que tira um pouco da criatividade do desenhista que pode propor soluções visuais mais interessantes do que a que foi inicialmente proposta pelo roteirista.

Mesmo assim, é um formato bastante usado pelos roteiristas que também são desenhistas e por aqueles que preferem usar a imagem para contar a sua história ao invés das palavras.

 

 

E vocês? o que acharam desta análise? Comentem aí e sugiram outros roteiros e roteiristas para que eu possa comentar.

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