Neil Gaiman – Miracleman 17 – Página 13

O Roteirista

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Neil Richard MacKinnon Gaiman, nascido em Portchester, em 10 de novembro de 1960 é um autor britânico de contos, romances e histórias em quadrinhos radicado nos Estados Unidos. Após ter se tornado amigo do famoso roteirista Alan Moore (e vale destacar que quando se tornaram amigos, ambos ainda esperavam pela fama), Gaiman começou a escrever HQ’s (historias em quadrinhos). Escreveu duas histórias com seus colaborador favorito e amigo de longa data Dave McKean: Violent Cases e Signal to Noise. Mais tarde, firmou um contrato com a DC Comics que resultou na minissérie Orquídea Negra. Entre suas obras em prosa estão American Gods e Good Omens, a segunda em parceria com Terry Pratchett. Sua história em quadrinhos mais conhecida é Sandman, que tem como personagens principais Morpheus e seus irmãos: Morte, Destino, Delírio, Desejo, Desespero e Destruição. Gaiman recebeu um prêmio do Fantasy World Award em 1991 por Sandman – Sonho de uma Noite de Verâo (parte do arco de histórias intitulado Dream Country), e como depois disso uma regra foi alterada, impedindo que quadrinhos concorram, ele é o único autor a receber este prêmio com um roteiro de histórias em quadrinhos. Em 1991, Gaiman publicou The Books of Magic, uma minissérie em quatro partes que relata uma excursão às partes mágicas e mitológicas do Universo DC. Com uma história focada num adolescente inglês que descobriu que tem por destino talvez se tornar o maior mago do mundo. Em 1999 o autor lançou Stardust. O romance teve duas versões: uma normal e uma ilustrada e foi adaptado ao cinema em 2007 com Robert De Niro e Michelle Pfeiffer no elenco. Quando Gaiman escrevia o livro American Gods, seus editores criaram um site promocional que consistia de um blog no qual Gaiman descreveria o processo cotidiano de escrever (e também revisar, publicar, promover) a novela. Depois de o romance ser publicado, o Web site evoluiu em um Web site oficial mais geral sobre Neil Gaiman, e desde então ainda adiciona textos regularmente ao weblog, descrevendo o processo cotidiano de ser Neil Gaiman e de escrever qualquer que seja o projeto atual. Partes do blog foram extraídas para a publicação na coleção Adventures in the Dream Trade. Lançado em 2001, American Gods teve um grande sucesso comercial e junto da crítica. Em 2002 venceu o prémio Hugo e o prémio Nebula. Em 2011 foi lançada uma versão comemorativa do 10º aniversário do romance com mais 12 000 palavras do que o original.  (Fonte: wikipedia)

A Série

Marvelman, depois chamado de Miracleman, é um personagem de quadrinhos criado pelo ilustrador e escritor britânico Mick Anglo em 1953 para a editora Len Miller & Son. Originalmente concebido como um substituto do super-herói americano Capitão Marvel, a série continuou até 1963. Em 1982 foi revivido por Alan Moore em uma série dramática e sombria, o que distorce completamente a imagem original da simplicidade e da ingenuidade da personagem, inventando o que é considerada a primeira desconstrução do herói. Impedida a continuidade da publicação ocasionada por uma disputa legal complexa e onerosa dos vários autores, o personagem saiu de circulação por muitos anos. Em 24 de julho de 2009, a Marvel Comics adquiriu todos os direitos, prometendo relançá-lo com o nome original Marvelman. O personagem foi publicado pela primeira vez no Brasil nos anos 50 pela RGE, justamente na revista do Capitão Marvel e era chamado de Jack Marvel. Entre 1989 e 1990, a Editora Tannos publicou a versão de Alan Moore, essa fase só seria republicada novamente em 2014 pela Panini Comics. (Fonte: Wikipedia)

Roteiro Traduzido

Página Quadrinizada

Considerações

O estilo de Neil Gaiman lembra mais uma conversa com o artista passando orientações do que um roteiro propriamente dito. Mesmo tendo todas as marcações esperadas de um roteiro full script, ainda assim Gaiman consegue repassar as informações necessárias de uma forma bastante coloquial e informal.

Isto não significa que ele não tenha o controle absoluto do que está escrevendo. Ao contrário, ele se apresenta como mestre absoluto do que está contando, forçando discretamente o desenhista a seguir todas as suas marcações.

Neste ponto, Gaiman assemelhasse a Alan Moore. A diferença entre os dois, porém, encontra-se no fato de que, enquanto Moore dedica um volume extremamente grande de informações para descrever um único quadro, Gaiman consegue se prender ao que é essencial, tornando a leitura de seus roteiros menos cansativa.

Tecnicamente falando, Gaiman não se preocupa com formalização de planos e ângulos. Pelo menos não da forma convencional a qual estamos acostumados. Mesmo sem usar as expressões “plano médio”, “plano geral” e etc., ele consegue definir para o desenhista exatamente qual o enquadramento que ele deve apresentar.

Um detalhe técnico importante a se comentar é na apresentação do texto sublinhado na fala do miracleman no quadro 1:

Miracleman: Então, meus peregrinos?
Por que vocês vieram a mim?

É comum alguns roteiristas se preocuparem até mesmo com a entonação da fala dos personagens. E isto é feito, normalmente, de duas formas: Ou o roteirista utiliza um linha sublinhando a palavra onde a entonação é mais forte ou ele utiliza o negrito. E, embora eu não tenha o costume de utilizar este recurso, eu acho que ele é um dos últimos e mais importantes requisitos para um roteiro totalmente profissional e demonstra toda  atenção e esmero que o roteirista tem para com seu trabalho.

Em relação ao que foi descrito por Gaiman e o que foi executado pelo ilustrador Mark Buckingham, podemos uma vez mais perceber que os desenhistas nem sempre incluem todas as informações visuais e nuances sugeridas pelo roteirista. Isto pode ser visto em quase todos os quadros desta página apresentada.

No quadro 1, quase não aparece a personagem Gwen e ela nem está tirando o seu capacete.

No quadro 2, há um abrupto nivelamento entre Miracleman e Taipek para que o tiro fizesse sentido de acordo com o que foi descrito por Gaiman. Além disto, toda a descrição a respeito do disparo foram perdidas pela simplificação proposta pela ilustração de Buckingham.

No Quadro 3, quase todas as informações acessórias foram suprimidas. Não vemos Taipek nervoso ou hesitante (ele parece até um pouco idiota para mim), Gwen e o narrador sequer aparecem na cena e Miracleman continua brilhando.

É óbvio que, nestes casos, a ausência de informações não comprometeu o entendimento da história não causando nenhum estrago. Porém, ao meu ver, elas acabam empobrecendo um pouco a história. E isto é um pouco triste pois o roteirista tem uma preocupação com cada elemento de cada quadro e o desenhista, às vezes, suprime tudo isto por motivos que vão do simples tédio até a incompetência para reproduzir tudo o que lhe foi solicitado.

Conclusões

Neil Gaiman é um grande roteirista e escritor e fica fácil perceber por que suas histórias fazem tanto sucesso. Ele tem uma preocupação em construir um desenvolvimento de suas cenas e de seus personagens de uma forma gradual que prende o leitor.

Apesar de não usar muitas marcações comuns nos roteiros no estilo Full Script, ele consegue repassar as informações de forma mais do que satisfatória para os ilustradores de uma forma concisa e ágil.

Infelizmente, como a maioria dos roteiros aos quais venho tenho acesso, os desenhistas estão sempre suprimindo a maioria das informações acessórias que tornariam a história ainda mais completa e interessante.

Roteiro original

Neil Gaiman, Miracleman #17, second story

 

E vocês? o que acharam desta análise? Comentem aí e sugiram outros roteiros e roteiristas para que eu possa comentar.

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