Hit & Miss

Artigo publicado no blog Nerd Etílico em 07/06/2012.

Poster de Hit & Miss

Poster de Hit & Miss

Assisti ontem ao primeiro episódio da mini-série (ou mini seriado, ainda não sei ao certo) de HIT & MISS e devo confessar que foi uma bela surpresa entrar na vida de Mia, um transexual assassino de aluguel que descobre ter um filho de 11 anos de um caso efêmero quando ele/ela ainda tentava levar uma vida dentro dos padrões herméticos da sociedade e ainda atendia pelo nome de Ryan.

O papel de Mia é interpretado por Chloë Sevigny, que em 2010 ganhou o Golden Globe Award de melhor atriz coadjuvante em televisão pelo seu papel na série Big Love e é dada a papéis polêmicos (vide “Psicopata Americano“,  “Meninos não Choram” e “The Brown Bunny“, filme que fez com seu ex-namorado e diretor, Vincet gallo, onde faz um bolagato explícito diante das câmeras).
Seriados com personagens e, até mesmo famílias, disfuncionais e polêmicos tem estado muito em evidência ultimamente. Eles vão dos levemente divertidos como “Modern Family” até os grotescos a qualquer custo como “True Blood“, passando pelos acertadamente dramáticos como “Shameless“. O fato é que só divertir e entreter não é mais uma opção para tirar os espectadores de seu estado letárgico diante das televisões (ou monitores de computador). Para chamar atenção para seus produtos, a ordem é chocar. Seja com mortes, mutilações, sexo, homossexualismo e toda a sorte de subterfúgios politicamente incorretos que se pode lançar mão para estapear a cara do espectador e dizer: “Ei, estamos aqui! Nos assistam!“.
Os 5 minutos iniciais de Hit & Miss cumprem bem esse papel de chocar a quem assiste com Mia cometendo um assassinato friamente sem esboçar nenhuma emoção e, logo em seguida, com ela despindo-se para tomar um banho e mostrando, da forma mais natural possível, sua genitália masculina pendulante no centro de seu corpo feminino. E, no decorrer de quase uma hora conhecemos uma meia dúzia de outros personagens totalmente disfuncionais, cada um a sua maneira.
Mia descobre que Wendy, sua falecida namorada, não lhe deixou apenas um filho de 11 anos (ironicamente, para Mia, também chamado de Ryan) mas também outros 3 em idades maiores ou menores que respondem cada um de uma maneira diferente a presença do pai do pequeno Ryan que antes era um homem e agora é uma mulher.
Hit & Miss é, antes de tudo, uma série sobre as dificuldades de comunicação, de estabelecer vínculos, de se relacionar e de amar. Mas é também uma série onde, na falta da sensibilidade para se relacionar, as coisas são resolvidas na base da violência. Existe muitos silêncios nesse primeiro episódio onde Mia aparece sempre fumando cigarros, pensando e ponderando talvez em como poderia ou deveria estar tentando se comunicar com essa família que lhe ela nunca teve e que lhe foi imposta. É a incapacidade de se expressar optando por calar-se por não saber o que dizer. Mas, com uma alma de mulher presa num corpo de um homem, Mia vai descobrindo através do filho que nunca conheceu a sensibilidade feminina que o mundo em que vive nunca lhe permitiu externar.
Ainda falando sobre família, para Mia, trata-se de um velho urso de pelúcia que ela carrega para cima e para baixo. Junto com suas pílulas de hormônio e sua pistola com silenciador.
Apesar de ter uma premissa chocante (transsexual assassino, guardião de uma família de jovens problemáticos e uma mulher a procura de ser feliz e plena como uma mulher que ainda não é), nada em Hit & Miss é gratuito. Por isso, na minha opinião, a série já nasceu cult e o fato de só ter 6 episódios nessa primeira (única?) temporada o torna uma obra que definitivamente deve ser conhecida.
Destaque para a cena onde Mia canta no karaokê, para as belas paisagens da Inglaterra(?) e para a trilha sonora final.
Destaque também para um dos diálogos mais bonitos desse primeiro episódio onde o pequeno Ryan diz para Mia: “Eu não gosto de mudanças.” Ao que Mia responde: “Se não houvesse mudanças não existiriam borboletas”.

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