Sobre Universos

Chamada Site-criação de universosAntes de escrever qualquer história, você precisa responder a duas perguntas iniciais: A primeira é onde a sua história se passará. A segunda é quem participará da sua história. Quanto mais informações, elementos e detalhes você extrair a respeito dessas duas questões, mais subsídios você terá para elaborar a sua história. Responder ao onde conceitua seu universo. O quem nós veremos na seção Personagens.

Chamamos de universo o tempo, lugar e características específicas de onde uma história se passa. O universo das histórias de faroeste são, geralmente, os Estados Unidos no século XIX; O universo de uma história de ficção pode ser marte no ano de 3010; Da mesma forma, o universo de uma história cômica pode incluir animais falantes e objetos inanimados agindo como seres humanos numa metrópole nos dias atuais.

Alan Moore considera o universo tão importante que pode determinar as ações dos personagens. Imagine que o nosso universo seja uma era medieval onde a magia existe e que os habitantes de determinada área são aterrorizados por um furioso dragão cuspidor de chamas. Este universo pode gerar motivações nos personagens como fugir, esconder-se, oferecer animais em sacrifício ou, até mesmo, enfrentar a besta.

Por esta razão, é necessária uma grande preocupação ao sedimentar as bases do universo de sua história. Precisamos ter de forma clara e bem definida todas as informações a respeito desse universo (Mesmo que num primeiro momento não seja necessário passar todas essas informações para o leitor). Além da obviedade do tempo e lugar, precisamos ter estabelecido os costumes, forma de trabalho, vida social, culturas existentes, problemas a serem considerados e resolvidos e, inclusive, um conhecimento espacial de ruas, bairros, cidades, suas características próprias e da geografia ao redor. Resumindo, temos que transformar no mais realístico possível, o mundo onde nossos personagens e a história se passarão.

Em alguns casos, não é necessário imaginar nada pois a história se passa num universo real como, por exemplo, o Iraque durante a queda de Sadam Hussein. Neste caso, a imaginação para a criação do universo/ambiente tem que se apoiar numa rigorosa pesquisa a respeito das cidades iraquianas, dos costumes dos seus cidadãos, quais as religiões existentes e seus conflitos, qual o costume dos soldados americanos, como se dava a interação entre os soldados e a população iraquiana, como era a logística do exército americano e do exército iraquiano, o que eles comiam (ambos lados), onde e como faziam suas necessidades fisiológicas, saber se existia eletricidade nas cidades atacadas e assim por diante.

Um universo também tem sua própria atmosfera. Não dá para imaginar uma história passada no Rio e Janeiro onde o sol e a vibração da cidade maravilhosa não pulsem e pulem como o carnaval e o samba. Da mesma forma, São Paulo já nos remete a uma atmosfera mais sombria, urbana e cinza da cidade da garoa. Então, não se esqueça de considerar a atmosfera de seu universo quando estiver definindo-o.

Real ou imaginário, seu universo tem que ter consistência o suficiente para que ele possa passar credibilidade a quem estiver lendo.

Após ter o seu universo bem sedimentado, você tem que apresentá-lo ao seu leitor que, muitas vezes, pode não estar a par da cultura ou de outros detalhes desse mundo que você está apresentando. A maneira de apresentar esse novo ambiente ao leitor pode se dar de duas formas: Através de textos e diálogos expositórios ou de uma forma mais sutil, com imagens e situações relevantes no desenvolver da trama. As próximas figuras mostram um exemplo de como apresentar o universo através de textos e outro de como apresentá-lo de uma forma mais sutil.

Na Figura abaixo, vemos uma entidade virtual explicando para um novo usuário o universo que o espera na rede cerebral de computadores, a BrainNet.

brainet

Página da hq “Bem-vindo à BrainNet” escrita por Leonardo Santana e desenhada por Will onde podemos ver um exemplo de como apresentar um universo através de textos ou diálogos expositórios

Na Figura a seguir é apresentada toda a atmosférica caótica, urgente, do isolamento mesmo em meio a multidão de uma grande metrópole sem a necessidade de nenhum texto explicativo a exceção de uma contextualização temporal totalmente relevante e sutilmente inserida a partir de um rádio de pilha de um vendedor ambulante.

metropoles

Página da hq “Fome” da série “Metrópoles” escrita por Leonardo Santana e desenhada por Maurício Fig mostra como apresentar o ambiente da história sem a necessidade de usar legendas ou textos explicativos.

“Na primeira edição de American Flagg, vemos flashes de programas televisivos e um bombardeio de comerciais que nos dão uma impressão muito mais real do modo como essas pessoas pensam e vivem que qualquer quantidade de legendas explicativas poderiam fazer”
Moore , Alan

american flag exemplo

Página 8 da Graphic Album American Flag – Tempos Difíceis , da editora Abril

Por tudo isto que apresentamos, considere investir um bom tempo na criação de seu universo. Afinal de contas, é lá que seus personagens passarão o resto de seus dias.

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