A sarjeta e os tipos de transição

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A sarjeta é muito mais do que um espaço de separação entre dois quadros. É o espaço onde uma história em quadrinhos se transforma em uma narrativa com a participação do leitor.

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Analisando Roteiro de Warren Ellis

Chamadas para o site-analisandoroteirowarrenellis

Estamos inaugurando uma nova seção no site dedicada à análise de roteiros de famosos para identificar pontos recorrentes em suas obras, verificar seus estilos e observar a interpretação feita pelos desenhistas para os seus escritos.

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Tudo sobre personagens

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Exemplo de personagens fictícios: Homem-Aranha, Corto Maltese, Dracula, Robin Hood.

Acabo de publicar um artigo falando tudo sobre personagens: quais os tipos, dimensões, o que são estereótipos e arquétipos, dicas de criação de personagem, ficha de personagens e mais algumas outras coisas.

Para ler, clique aqui.

Se gostou, comente para que a gente publique mais dicas para roteiristas de quadrinhos.

Reflexões de um roteirista: Entre a angústia e a serenidade

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Quando eu estou em vias de escrever um roteiro mas ainda não tenho a história, eu passo por momentos de angústia e de aflição. por exemplo, eu sei que quero escrever uma história de terror mas ainda não sei exatamente sobre o que eu vou falar e muito menos tenho a história ainda. Enquanto não tenho a história vou lendo, assistindo filmes, pesquisando imagens e matérias sobre algo que possa me dar a ideia sobre o que escrever. Algumas vezes a epifania aparece rápido, em alguns poucos dias. Outras vezes, ela demora bastante. principalmente quando a história é baseada em fatos que realmente existiram: Um assassinato de alguém importante, uma época histórica relevante (Descobrimento do Brasil, por exemplo) ou uma guerra.

Então, quando a história não aparece, a angústia vai me consumindo. É como um inimigo que eu preciso combater mas que não consigo ver, que não tenho como ter acesso a ele. E, nesta história que estou querendo escrever agora, essa angústia já dura quase 30 dias.

Mas hoje, subitamente, tudo melhorou. De uma situação que ouvi num documentário, surgiu todo o desenvolvimento da história. Início, meio e fim. Ainda não é o roteiro em si mas agora eu tenho uma ideia que eu posso trabalhar da maneira que eu gostaria.

A angústia, agora, deu lugar à excitação. Um estado quase maníaco de querer juntar todas as ideias e informações em cima de uma estrutura (um esqueleto) de roteiro para que eu possa realmente confirmar se a história vai ficar interessante ou não. Somente depois disto, depois desta reposta final, é que começo a escrever realmente o roteiro. Aí, nesse momento, é onde o estado de excitação passa ao de serenidade. Escrever o roteiro quando já se tem a história é um estado de graça até a sublimação final de escrever um “Fim” ao final do roteiro.

Em busca da ideia perdida

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Este artigo faz parte do livro sobre roteiros que vivo querendo escrever mas que nunca levo adiante.

Em busca da ideia perdida

Um roteirista de história em quadrinhos não pode e nem deve ficar à mercê de uma ideia que talvez nunca apareça. Ele precisa compreender que todo ato de escrever é, como reza a máxima, cerca de 90% de transpiração e apenas 10% de inspiração. Ele precisa correr atrás dessa ideia, dessa inspiração, que lhe permita iniciar o seu trabalho independente de qualquer circunstância. Não se pretende, aqui, ser condescendente com ninguém. O foco deste livro é transformar o leitor num roteirista de produção, que tem que cumprir prazos e honrar compromissos. O próprio Alan Moore mencionou que não podia se dar ao luxo de ter bloqueios artísticos por que, simplesmente, havia contas a serem pagas no final do mês. Assim sendo, é preciso compreender algumas técnicas e dicas para a obtenção de ideias e de como desenvolver essas ideias.

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Modelo De Roteiro Para Quadrinhos Versão 2.0

modeloroteiroQuem me conhece, sabe que eu gosto das coisas organizadas. E, desde muito cedo, eu comecei a perceber uma série de problemas na forma “caseira” de se fazer roteiros. Muitos roteiristas iniciantes (E eu, durante um bom tempo, me incluí entre eles) escrevíamos um roteiro e mandávamos para os desenhistas com nada mais além do básico para ele construir  a hq. Muitas vezes, sequer, colocávamos no arquivo enviado, o nome do roteirista.

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Reflexões de um roteirista: Escrever roteiros não é mole não

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Numa história em quadrinhos, a primeira impressão que alcança o leitor em potencial é a do desenho. O desenho é o que salta aos seus olhos e o instiga a conhecer o universo por trás daquelas belas ilustrações. Portanto, desprezar simplesmente a importância dos desenhos em uma história em quadrinhos seria um erro.

Porém, após saciar seus olhos com a forma, o leitor passa a avaliar o conteúdo. E esse conteúdo é conduzido pelo roteiro. Isso significa que se os desenhos forem bons, o leitor pode até adquirir uma edição daquele personagem/série/autor. Mas se o roteiro não for eficiente, ele dificilmente se sentirá compelido a continuar acompanhando aquele personagem/série/autor.

Com isso, pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que a parte mais importante de uma história em quadrinhos, é o roteiro que dá origem a história em si. Sem ele, o máximo que se pode conseguir, quando muito, são belas ilustrações. Quem melhor definiu a relação entre o efeito visual de uma história em quadrinhos e seu conteúdo foi Will Eisner quando escreveu: “A receptividade do leitor ao efeito sensorial e, muitas vezes, a valorização desse aspecto reforçam essa preocupação e estimulam a proliferação de atletas artísticos que produzem páginas de arte absolutamente deslumbrantes sustentadas por uma história quase inexistente” (Eisner, 1985). É por esta razão que o trabalho do roteirista é tão importante para o sucesso de uma história em quadrinhos e a satisfação completa do leitor. Por isso, é preciso qualificar-se, profissionalizar-se, aprender o máximo que for possível para que a sua tarefa seja bem-sucedida e, dessa forma, o produto final, que é a história em quadrinhos em si, possa atingir seus objetivos.

Quando as histórias em quadrinhos começaram a serem produzidas, no início do século XX, a figura do roteirista não existia formalmente. O desenhista era, ao mesmo tempo, responsável pelas histórias e pelas ilustrações. Com o passar dos anos, a evidência de que nem todo bom desenhista era, necessariamente, um bom contador de histórias e também o fato de que a divisão de trabalho agilizava a produção das histórias foram determinantes para a consolidação da imagem do roteirista como figura independente no processo de criação de uma história em quadrinhos. A partir disso, houve uma natural especialização de ambas as áreas, roteiro e desenho, onde os profissionais de cada uma podiam dedicar-se e evoluir ainda mais para oferecer um produto de valor artístico e estético cada vez mais refinado.

Mas o que é um roteiro, afinal? Alguns estudiosos do assunto forneceram algumas definições interessantes que podem servir de guia para esse estudo.

“‘Escrever’ para quadrinhos pode ser definido como a concepção de uma ideia, a disposição de elementos de imagem e a construção da seqüência da narração e da composição do diálogo.” -Eisner, Will.

 

“O roteiro é uma história contada em imagens, diálogos e descrições, localizada no contexto da estrutura dramática.” -Field, Syd

 

“O roteiro é o veículo através do qual o escritor consegue orientar o desenhista, levando-o a ilustrar a história exatamente como ele imaginara.” -Danton, Gian.

Ou seja, resumidamente, o roteiro é o guia detalhado que vai indicar ao desenhista exatamente como conduzir a história.

A maior vantagem de se ter um roteiro em separado dos desenhos é a de se evitar o retrabalho. Mesmo quando a imagem do roteirista se confunde com a do desenhista, é necessário fazer um roteiro prévio do que ele pretende falar e de como espera conduzir a sua história. O roteiro também permite uma maior flexibilidade na hora de se fazer experiências e testar possibilidades antes da história ser desenhada. Uma indagação comum é a de que poderia haver um grande esforço nos casos onde o roteirista e desenhista fossem a mesma pessoa no fato de este ter que descrever minuciosamente toda a história antes de desenhá-la mas, como será visto nos capítulos posteriores, existem várias formas diferentes de se construir um roteiro que se adéque a cada situação específica tornando o trabalho mais simples independente de em quais áreas você atue. Outra vantagem é que roteirista e desenhista têm visões diferentes a respeito do que é mais importante numa história em quadrinhos e, dessa forma, cada um tentará conseguir o melhor resultado nesses pontos.

Porém, um verdadeiro roteirista de histórias em quadrinhos não se forja no espectro cultural limitado que a maioria das histórias em quadrinhos proporciona. Para ter a pretensão de um dia querer ser considerado um bom roteirista em quadrinhos, é preciso ter uma bagagem cultural que ultrapasse o universo das histórias em quadrinhos. É preciso que você se interesse por outras mídias culturais que lhe forneçam senso crítico e estético tão importantes quanto os existentes nos quadrinhos. É preciso ler e gostar de ler não só quadrinhos, mas revistas, jornais e, é claro, os livros. Warren Ellis escreveu no seu Guia do blefador para digitar histórias com poucas palavras e desenhos grandes o seguinte: “Você não conseguiu Alan Moore sem Thomas Pynchon, não conseguiu Eddie Campbell sem Henry Miller, nenhum Grant Morrisson sem William Burroughs”. Da mesma forma, você não se tornará um bom roteirista se não tiver disposição de beber na fonte dos verdadeiros mestres da literatura.

Hoje em dia, não existem mais desculpas para se abrir mão do roteiro como processo inicial de produção de uma história em quadrinhos. A sua não utilização demonstra a subestimação da importância do roteiro, denota amadorismo das partes envolvidas (Sejam desenhistas ou editores) e, principalmente, tem tudo para resultar em mais uma história pobre em conteúdo.

Contudo, da mesma forma que não se pode negar a importância dos roteiros nas histórias em quadrinhos, é preciso mencionar que sua correta aplicação necessita de uma série de conhecimentos, técnicas e dicas que só profissionais que já passaram por elas poderiam fornecer ao estudante do assunto. Antes, tudo o que era preciso para se escrever um roteiro era saber ler e escrever e ter uma ideia na cabeça. Porém, sem desconsiderar a importância de uma ideia, isso contribuía para histórias tão terríveis quanto as que não possuíam roteiristas.

Hoje, para se pretender escrever roteiros com os mínimos critérios de qualidade, são necessários conhecimentos em alguns pontos listados a seguir:

  1. Técnicas para obtenção e desenvolvimentos de idéias;
  2. Criação e desenvolvimento de universos e personagens;
  3. Linguagem e elementos gráficos de uma HQ;
  4. Tipos, etapas e elementos de roteiros;
  5. Termos específicos de roteiros;
  6. Formatação profissional de roteiros;
  7. A estrutura de um roteiro;
  8. Construção de narração e conversação;
  9. Estilos narrativos;
  10. Erros comuns e dicas importantes de roteiristas mais experientes;
  11. Etc.

Como pode ser visto, estudar a fundo a produção de um roteiro para quadrinhos é uma atividade que exige, como todas as demais artes, dedicação e seriedade. A boa notícia é que tudo o que foi listado acima pode ser aprendido.

E você? Já começou?