Personagens de Pernambuco Holandês: Felipe e Clara Camarão

Chamada Site-Felipe Camarão

Potiguaçu, que na lingua tupi significa “Camarão Grande”, nasceu no ano de 1591 em Igapó, na cidade de Natal que fazia parte da então capitânia do Rio Grande (Atualmente o estado do Rio Grande do Norte). Em 1614 foi batizado e convertido ao catolicismo e recebeu o nome de Antônio. Em homenagem ao então soberano do Brasil, Dom Filipe II, incluiu ao seu nome “Filipe Camarão”.

Continuar lendo

E o Ilustra Plaza foi massa!

Chamada site - ilustra plazaEste final de semana que passou aconteceu o Ilustra Plaza, um evento que reuniu 22 quadrinistas de Recife e arredores para expor seus trabalhos no Shopping Plaza Casa Forte. E, por mais incrível que possa parecer, o evento foi considerado pelos artistas melhor do que a CCXP Tour Nordeste no que se refere a vendas e exposição de seus trabalhos.

E eu concordo com este ponto de vista.

E, uma coisa que muito me chamou a atenção foi o grande número de pessoas que, apesar de não serem colecionadores de quadrinhos ou compradores regulares, se interessaram pelo material exposto e adquiriram os produtos expostos.

Ou seja, livraria e banca de revista é muito bom mas se você levar as revistas até o público, até a praça, eles vão comprar!

Em relação a organização e apoio o Plaza e a Arcos Propaganda estão de parabéns! Os artistas foram tratados com uma atenção e um profissionalismo que é raro de se ver e a infraestrutura montada estava linda e altamente funcional. Tudo saiu perfeito!

Parece que Recife voltou a descobrir o valor e a importância de seus artistas de quadrinhos e eu espero, sinceramente, que outros eventos similares voltem a acontecer. O público que compareceu em peso mostrou que há um mercado para os nossos trabalhos e os nossos artistas. Basta saberem aproveitar esta oportunidade.

Além disto tudo, o evento também foi ainda melhor para que nós, artistas Pernambucanos, estreitemos nossos laços culturais e afetivos. Foi muito bom rever amigos de longa data (como Carlos Eduardo Cunha, Eduardo Schloesser, Milson Marins, Marcos Lopes, Roberto beltrão, Teo Pinheiro, André Balaio, Luciano Félix, José Carlos Braga, Arnaldo e Ary Santa Cruz) e poder conversar e conhecer um pouco mais os novos amigos (Como Silvio DB, Thony Silas, Eron Villar, Laerte Silvino, Roger Vieira, Erika Ferreira, Felipe Soares, Clari Cabral, Glaydson Gomes, Roberta Cirne, Igor Tadeu e Lorde Jimmy).

Para ver as fotos que tirei do evento, clique aqui.

***

Para apoiar este trabalho, clique neste link ou no banner abaixo.

banner do apoie-se

 

Novos rascunhos das páginas de Pernambuco Holandês

A produção da hq PERNAMBUCO HOLANDÊS está de vento em popa e recebemos semana passada diversos rascunhos de páginas da história que conta em detalhes e com muita ação a invasão holandesa em Pernambuco no ano de 1630.

Hoje estamos publicando aqui o rascunho da página 8 (mas  na nossa página no APOIA.SE, publicamos também os rascunhos das páginas 9 e 10).

Nas páginas abaixo, MATIAS DE ALBUQUERQUE volta para Pernambuco como GOVERNADOR E COMANDANTE SUPREMO DAS CAPITANIAS DE PERNAMBUCO, ITAMARACÁ, PARAÍBA E RIO GRANDE DO NORTE e vai direto confrontar ANDRÉ DIAS DA FRANÇA, o então CAPITÃO-MOR DE PERNAMBUCO para destituí-lo de sua função e informar a ameaça da invasão holandesa.

A QUEDA DE OLINDA (Por Leo Santana e Carlos Eduardo Cunha) Pag 08

A QUEDA DE OLINDA (Por Leo Santana e Carlos Eduardo Cunha) Pag 08

***

“Pernambuco Holandês – A queda de Olinda”, é uma novela gráfica que mostra detalhadamente as primeiras 24 horas de luta que o exército privado holandês infligiu ao povo Pernambucano no ano de 1630 que, mesmo sem nenhum apoio da coroa espanhola , ofereceu a resistência que pode aos invasores.

O roteiro, escrito por Leonardo Santana e ilustrado e colorido por Carlos Eduardo Cunha, tem 56 páginas e faz parte de uma trilogia que se pretende contar toda a saga holandesa em Pernambuco de forma dinâmica, ágil e emocionante. O projeto está na fase de ilustração e na procura de editoras interessadas em publicar este material.

Para acompanhar as novidades a respeito deste projeto, curta a nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pernambucoholandes/

***

Lembrando que, a partir de agora, as prévias neste blog se tornarão mais reduzidas. Para acompanhar o making of das nossas produções na íntegra, apoie a nossa campanha neste link ou no banner abaixo.

banner do apoie-se

 

Pernambuco Holandês: Curiosidades do exército Holandês

exercito holandes 002

Exército Holandês durante o ataque a Olinda (Por Carlos Eduardo Cunha)

Para escrever o roteiro do projeto Pernambuco Holandês, foi preciso fazer uma grande pesquisa sobre diversos atores e aspectos da época. Muitas coisas acabam entrando na história de forma sutil, quase imperceptível. Muitas outras, porém, só servem para que autor e ilustrador compreendam como funcionavam as coisas naquele período e, por isto, acabam ficando de fora do roteiro.

Porém, são notas interessantes e eu venho hoje compartilhar algumas delas com vocês.

O foco de hoje é no exército Holandês.

No exército da Holanda (as Províncias Unidas) haviam muitos mercenários de outros países (Alemanha, Polônia, França e em países vizinhos) para compor suas tropas. Era oferecido um soldo de 8 florins (400 euros) mensais, mais participação no butim. E, já no recrutamento, era dado 13 stuivers (moeda divisionária holandesa. Este valor equivalia a cerca de 6,7 euros) e assegurado outros 13, todos os dias, até os alistados serem passados em revista. Depois do treinamento e antes de partir, cada um recebia 2 meses de soldo adiantados para deixar com suas famílias. Apesar de ser fácil encontrar homens dispostos a arriscar a vida em troca deste soldo, escolher milhares de mercenários minimamente confiáveis era bem mais difícil.

A armada holandesa consistia em 56 navios, 13 pinaças, 7.280 homens, entre os quais 3.500 soldados. De artilharia grossa contava-se 1.160 peças, entre canhões e meio canhões. Balas de ferro e de pedra e muita pólvora.

Uma Pinaça era a designação dada a um tipo de pequena embarcação, à vela ou a remos, utilizado como embarcação de apoia a navios de guerra ou mercantes. As pinaças eram usadas para estabelecer comunicação entre navios pertencentes a uma mesma esquadra ou entre os navios e a terra. Em viagens longas as pinaças eram em geral rebocadas ou navegavam de conserva com as grandes embarcações. O nome resulta da utilização quase exclusiva de madeira de pinho na construção daquelas embarcações, aparecendo em diversas formas na maioria dos idiomas europeus . A designação pinaça de Arcachon (em francês pinasse d’Arcachon) é um tipo tradicional de pequena embarcação utilizada na região de Arcachon, na costa sudoeste da França.

Os Regimentos são divididos em batalhões, e batalhões são divididos em companhias. Ppor exemplo, uma companhia pesquisada da época tinha cerca de 184 homens em armas e, para poder ser embarcada, foi preciso ser dividida em dois navios.

Para as viagens de navios, era preciso assegurar que não faltasse comida e água doce cuja duração nem sempre era certa de se prever. Era também comum a pesca durante as viagens. Em um diário de um dos soldados que viajaram e combateram na costa Pernambucana, é mencionada a pesca de cavalas, peixe-espadas e, até mesmo, golfinhos.

A respeito da alimentação, este mesmo diário menciona o seguinte: “nesta data começou em nosso navio a distribuição de víveres por porções, ou, como se constuma chamar, rações. Cada tripulante recebeu 3 grandes queijos flamengos para toda a viagem. Fomo avisados que, semanalmente, receberemos 4 libras e meia de biscoitos meados de grãos (cerca de 2 kgs), ½ libra de manteiga e um pouco de vinagre. Além disso, faremos jus a 2 dias de carne e a 1 dia de bacon ao almoço. Isto acontecerá aos domingos, terças e quintas-feiras. Nos demais dias da semana, receberemos aveia, cevada, ervilhas e, talvez, peixe. Pelo visto até aqui, é tudo tão pouco que 2 homens, com bom apetite, devorariam as rações de 8”.

Os holandeses também chamavam Pernambuco de Zuikerland (Terra do açúcar).

Armas utilizadas pelos holandeses: Espadas, arcabuzes, mosquetes e balas.

Quando em uma frota de navios, um capitão içava uma bandeira branca, era o sinal para que todos os capitães fossem a bordo da sua nau para receber ordens.

Alguns holandeses tinha o hábito de quando estavam muito mal, quando estavam pressentindo a morte chegar, gemiam e diziam que não estavam ali como se isto fosse enganar a morte. Por exemplo: “Hans Lickhosz não está aqui! hans Lickhosz não está aqui!”.

Da viagem da Europa até Pernambucno, tinham morrido mais de 200 homens da frota holandesa e cerca de 1.200 jaziam enfermos. Os holandeses atribuíram essas mortes e doenças principalmente ao escorbuto mas também à diarreia provocada pelo fato dos homens comerem quase de tudo que podia, de biscoito estragado por vermes a frutas podres.

Os holandeses também chamavam os negros de mouros.

A Formação tática dos Países Baixos consistia de: arcabuzeiros adiante, oficiais e bandeiras no centro e piqueiros atrás.

Os Países Baixos, que haviam se revoltado contra a Espanha em 1568, desenvolveram uma formação militar mais ligeira, que se baseava em regimentos com 1.200 homens. Proporcionalmente aos espanhóis eles possuíam o dobro de oficiais, o que aumentava o controle da tropa durante as batalhas e tornava o exército mais flexível.

Terço, organização militar que misturava soldados armados de piques com soldados armados de arcabuzes e mosquetes, e em pouco tempo alcançou a superioridade militar na Europa. A origem do termo “terço” (“tercio” em Espanhol) é algo obscuro. Umas opiniões defendem que isso se deve o facto de terem sido, inicialmente, criados três terços, cada qual correspondendo a 1/3 das tropas espanholas estacionadas na Itália. Outros defendem que isso se deve a que, inicialmente, cada terço deveria incluir os três tipos de combatentes de infantaria da época: os piqueiros (Lanças), os escudados (com espadas) e os besteiros (Posteriormente substituídos por arcabuzeiros). Uma terceira opinião defende que a origem do termo está nos 3.000 homens que constituíam o efetivos dos primeiros terços.

As armas de fogo pessoais mais utilizadas durante a Guerra eram a pistola, a carabina, o arcabuz, o mosquete e o bacamarte. À exceção da pistola e da carabina usadas pela cavalaria e que tinham fecho de pederneira, as restantes eram armas de fecho de mecha(uma corda). A alma lisa (ou seja, interior do cano sem estrias) destas armas Conferia ao projétil disparado uma baixa velocidade e uma trajetória errática, para o que também contribuía a forma esférica da bala de chumbo. O alcance dentro do qual era esperado causar baixas ao inimigo era limitado: cerca de 5-10 metros para a pistola, cerca de 60-80 metros para a carabina e o arcabuz, cerca de 100 metros para o mosquete (alcances aproximados, segundo as estimativas da época e reconstituições atuais, nem sempre coincidentes entre elas).

Um conjunto de variáveis influenciava a eficácia: as condicionantes atmosféricas, o estado de conservação da arma, a qualidade da pólvora (e a quantidade utilizada para permitir a detonação), o cansaço do militar, o moral e o seu treino ou experiência. Na cavalaria, por exemplo, com os solavancos da montada e o efeito da gravidade, mesmo utilizando uma segunda estopa para fixar melhor o projétil, podia acontecer que a bala se deslocasse no interior do cano e se afastasse da carga de pólvora que provocava a detonação. Deste modo, a velocidade inicial e logo a capacidade perfurante seriam muito reduzidas.

As características acima referidas condicionavam o emprego táctico das tropas equipadas com armas de fogo. As carabinas eram disparadas antes de se iniciar uma carga ou durante uma escaramuça à distância, enquanto as pistolas eram reservadas para o corpo-a-corpo, sendo disparadas muito perto do contato, antes de se recorrer à espada, ou até desfechadas à queima-roupa. Arcabuzes e mosquetes eram muito mais eficazes se disparados em salva: tiro efetuado à voz de comando, normalmente pelas duas primeiras fileiras.

Devido à rápida perda de velocidade da bala, aconteciam situações como as citadas anteriormente. Por isso, um colete ou casaca de couro podia ser suficiente para proteger o combatente de cavalaria, poupando os mais temerários ao incômodo suplementar de uma couraça metálica (o uso destas peças entre a infantaria era mais raro, excepto entre os oficiais). Mas se o militar fosse atingido, principalmente por uma bala mais pesada e volumosa como a de mosquete (cerca de 18mm de diâmetro), as consequências podiam ser bem complicadas. Até 40 ou 50 metros de distância, com alguma sorte a bala podia passar através do corpo sem atingir ossos ou tocar artérias ou órgãos vitais, ou ficar alojada num local de fácil extração. Este tipo de feridas sarava bem com os tratamentos empregues na época. O pior era quando um projéctil atingia um osso, quebrando-o, e depois deflectia para outras partes do corpo. Os ferimentos internos assim causados pela bala (que podia, ela própria, fragmentar-se, assim como ao osso, ampliando os danos) eram muito graves e quase sempre fatais. Na maior parte dos casos, a fratura de um membro provocada por uma bala levava à amputação do mesmo.

Os autores das narrativas de guerra dão ênfase aos eventos curiosos de pessoas atingidas por balas que pouco ou nada as incomodavam – o inverso não merecia grande destaque, porque era mais frequente.

Espero que tenham gostado de minhas anotações pessoais.

exercito holandes 001

Exercito Holandês sob ataque (Por Carlos Eduardo Cunha)

***

“Pernambuco Holandês – A queda de Olinda”, é uma novela gráfica que mostra detalhadamente as primeiras 24 horas de luta que o exército privado holandês infligiu ao povo Pernambucano no ano de 1630 que, mesmo sem nenhum apoio da coroa espanhola , ofereceu a resistência que pode aos invasores.

O roteiro, escrito por Leonardo Santana e ilustrado e colorido por Carlos Eduardo Cunha, tem 56 páginas e faz parte de uma trilogia que se pretende contar toda a saga holandesa em Pernambuco de forma dinâmica, ágil e emocionante. O projeto está na fase de ilustração e na procura de editoras interessadas em publicar este material.

Para acompanhar as novidades a respeito deste projeto, curta a nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pernambucoholandes/

***

Lembrando que, a partir de agora, as prévias neste blog se tornarão mais reduzidas. Para acompanhar o making of das nossas produções na íntegra, apoie a nossa campanha neste link ou no banner abaixo.

banner do apoie-se

Pernambuco Holandês: making of e mais um pouco da história de Pernambuco

Esta semana recebi os sketchs enviados pelo ilustrador Carlos Eduardo Cunha das páginas do nosso projeto Pernambuco Holandês até a página 23. Como já explicamos aqui, eu estou analisando os sketchs e tão logo eu os aprove, o Carlos começa o processo de ilustração propriamente dito.  E é muito legal poder ver a história começando a tomar forma.

Eu gostaria de poder mostrar mais coisas para vocês mas, por hoje, vou deixar vocês com apenas dois destes sketchs – das páginas 18 e 19 que mostram o momento exato da chegada dos Holandeses à Recife – para que você comecem a ter uma noção do que esperar quando o projeto estiver pronto.

E, como prometido, um pouco da história desse conflito.

Em 1628 , uma esquadra da WIC (Companhia das Índias Ocidentais), comandada por Piet Heyn, captura uma frota da prata espanhola, no litoral de Cuba, e o butim permite à companhia financiar um novo ataque ao Brasil. O alvo desta vez era Pernambuco, o maior produtor de açúcar do mundo.

A coroa Espanhola, então ciente dos possíveis novos ataques dos Holandeses à costa Brasileira (Eles já haviam sido expulso da Bahia em 1625), despacha Matias de Albuquerque para o Brasil para proteger Pernambuco e arredores (Itamaracá, Paraíba e Rio Grande do Norte) e lhe fornece, à título de reforços, apenas 1 caravela e 27 soldados.

E é com este contingente, além dos encontrados no Brasil, que ele tem que proteger quase toda a costa do nordeste Brasileiro.

O que fez Matias de Albuquerque e como fez para rechaçar o ataque Holandês é uma parte da história que contamos no nosso projeto Pernambuco Holandês.

***

“Pernambuco Holandês – A queda de Olinda”, é uma novela gráfica que mostra detalhadamente as primeiras 24 horas de luta que o exército privado holandês infligiu ao povo Pernambucano no ano de 1630 que, mesmo sem nenhum apoio da coroa espanhola , ofereceu a resistência que pode aos invasores.

O roteiro, escrito por Leonardo Santana e ilustrado e colorido por Carlos Eduardo Cunha, tem 56 páginas e faz parte de uma trilogia que se pretende contar toda a saga holandesa em Pernambuco de forma dinâmica, ágil e emocionante. O projeto está na fase de ilustração e na procura de editoras interessadas em publicar este material.

Para acompanhar as novidades a respeito deste projeto, curta a nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pernambucoholandes/

Personagens de Pernambuco Holandês: Duarte Coelho

Duarte Coelho

Duarte Coelho por Carlos Eduardo Cunha

Nascido em 1591, Duarte de Albuquerque Coelho era o filho mais velho de Jorge de Albuquerque Coelho e, por esta feita, tornou-se herdeiro único da Capitânia de Pernambuco. Porém, Duarte Coelho havia repassado a tarefa de administrar sua herança em terras brasileiras ao seu irmão Matias de Albuquerque e preferia gastar os lucros e dividendos provenientes de sua herança em cortes europeias.

Duarte nunca fora dado ao trabalho pesado e preferia viver de forma fútil e alienada entre os Bailes reais das cortes Portuguesas e Espanholas. Quando os Holandeses resolveram invadir a costa Pernambucana e ameaçar diretamente a sua capitânia, ao invés de vir defender o que era seu, mandou seu irmão Matias para defender as posses da família.

Apesar de fugir de seu papel inicialmente, mais tarde acabou tendo que vir para o Brasil e acabou escrevendo posteriormente as “Memórias Diárias de la Guerra del Brasil”, publicada em Madrid, em 1654, narrando a luta contra os holandeses em Pernambuco de 1630-1638.

É importante mencionar que não se deve confundir Duarte de Albuquerque Coelho com Duarte Coelho de Albuquerque. O segundo era tio do primeiro e foi quem, originalmente, herdou a capitânia de Pernambuco de seu pai Duarte Coelho Pereira. Duarte Coelho de Albuquerque e seu irmão Jorge de Albuquerque Coelho lutaram contra os Mouros no Norte da África e acabaram feridos e aprisionados em 1578. Após serem resgatados, Duarte Coelho de Albuquerque acabou falecendo devido aos seus ferimentos e seu irmão Jorge de Albuquerque Coelho – que também padecia de graves ferimentos – acabou repassando o direito hereditário da Capitânia de Pernambuco para o seu filho mais velho Duarte de Albuquerque Coelho.

Duarte de Albuquerque Coelho é um personagem bastante interessante e complexo que teve um importante papel durante a invasão e domínio Holandês em Pernambuco no século XVII e que você poderá ver mais de perto no projeto Pernambuco Holandês.

“Pernambuco Holandês – A queda de Olinda”, é uma novela gráfica que mostra detalhadamente as primeiras 24 horas de luta que o exército privado holandês infligiu ao povo Pernambucano no ano de 1630 que, mesmo sem nenhum apoio da coroa espanhola , ofereceu a resistência que pode aos invasores.

O roteiro, escrito por Leonardo Santana e ilustrado e colorido por Carlos Eduardo Cunha, tem 56 páginas e faz parte de uma trilogia que se pretende contar toda a saga holandesa em Pernambuco de forma dinâmica, ágil e emocionante. O projeto está na fase de ilustração e na procura de editoras interessadas em publicar este material.

Para acompanhar as novidades a respeito deste projeto, curta a nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pernambucoholandes/

Pernambuco Holandês: Passo a passo para a criação de uma página de hq

Hoje vou falar rapidamente do making of do projeto PERNAMBUCO HOLANDÊS – A QUEDA DE OLINDA que estou produzindo com Carlos Eduardo Cunha e, de quebra, apresentar pedaços do passo a passo para a criação de uma história em quadrinhos com imagens inéditas e trechos do roteiro oficial.

Só lembrando que este é o método que costumo usar mas nem sempre uso apenas este e muitos outros artistas usam outros métodos similares ou completamente diferentes.

Vamos lá:

PARTE 1 – A PARTE ESCRITA

A primeira parte na produção de uma história em quadrinhos como esta, que envolve personagens e situações que realmente existiram, começa com muuuuuuuuuuuita leitura e pesquisa tanto textual quanto visual.

Portanto, uma boa parte do tempo consumido antes mesmo de você ter uma ideia de como vai começar ou o que vai abordar passa, obrigatoriamente, pela leitura e anotações de diversas fontes.

No caso de Pernambuco Holandês foram vários livros, diversos estudos/ensaios, uma centena de textos de páginas web e a compilação disto tudo em diversos arquivos separados por temas como: levantamento cronológico, curiosidades e costumes da época, dicionário texto-visual de personagens, localidades, armas, equipamentos e outros itens diversos como formação tética do exército espanhol e levantamento do perfil do exército misto de oficiais e de mercenários holandeses.

Depois de ler bastante, compilar todas essas informações e começar a juntar minhas anotações com as ideias narrativas sobre o projeto, é hora de começar a escrever o roteiro propriamente dito. Abaixo, vocês podem ver na íntegra o roteiro da primeira página do roteiro da hq:

 

ROTEIRO

PÁGINA 1

QUADRO 1 

SPLASH PAGE. EXTERNA. DIA. PLANO ABERTO MOSTRANDO UMA DAS LADEIRAS DE OLINDA, TODA DE TERRA BATIDA, RODEADA DE ALGUMAS POUCAS CASAS E DE MUITAS ÁRVORES, ONDE UM COMBATE AGUERRIDO ACONTECE ENTRE AS FORÇAS PERNAMBUCANAS DE MATIAS DE ALBUQUERQUE, NO ALTO DA LADEIRA E DOS HOLANDESES, TENTANDO SUBIR. MATIAS DE ALBUQUERQUE ESTÁ MONTADO EM SEU CAVALO ANDALUZ BRANCO, QUE ESTÁ EMPINANDO ENQUANTO DISPARA COM UMA PISTOLA DE MÃO EM DIREÇÃO AOS SEUS INIMIGOS. A OUTRA MÃO (A MESMA QUE SEGURA ÁS REDEAS DO CAVALO) CARREGA UM ESCUDO SURRADO DE MADEIRA QUE O PREVINE DE UMA ESTICADA INIMIGA E DE UM DISPARO. MATIAS VESTE UMA CAMISA BRANCA SURRADA E VELHA, ABERTA NO PEITO, UMA CALÇA TAMBÉM BASTANTE SURRADA E BOTAS. TAMBÉM EM SEU PEITO VEMOS UM CINTURÃO COM ESPAÇO PARA COLOCAR 4 PISTOLAS ONDE 3 DELAS ESTÃO PRESAS (A QUARTA É A QUE ESTÁ EM SUA MÃO). AO REDOR DE MATIAS VEMOS MUITOS SOLDADOS DA MÍLICIA PERNAMBUCANA TRAVANDO UMA LUTA COM EXÉRCITO DE MERCENÁRIOS HOLANDESES. NESTE QUADRO, HÁ UMA PROPORÇÃO DE DOIS OU TRÊS HOLANDESES PARA CADA PERNAMBUCANO. OS PERNAMBUCANOS ESTÃO LUTANDO COM ALGUNS POUCOS MOSQUETES (MUITO POUCOS MESMO UMA VEZ QUE NA OCASIÃO HAVIA APENAS ARMA DE FOGO PARA CADA SOLDADO PERNAMBUCANO), ESPADAS, LANÇAS FEITAS À MÃO. HÁ PORTUGUESES, ALGUNS NEGROS E ALGUNS ÍNDIOS. TUDO MUITO MISTURADO E SEM UMA PROPORÇÃO EXATA. NÃO HÁ UM UNIFORME PADRÃO E CADA UM VESTE-SE COMO PODE. DO LADO DOS HOLANDESES, TAMBÉM NÃO HÁ UMA PADRONIZAÇÃO EM RELAÇÃO AOS UNIFORMES E ARMAS. A PRINCIPAL DIFERENÇA TALVEZ SEJA A DE QUE OS HOLANDESES (E SEUS MERCENÁRIOS FRANCESES, POLONESES E ETC) TEM A CONSTITUIÇÃO EUROPÉIA, BRANCA E, GERALMENTE (MAS NÃO SEMPRE) LOIRA. UM OU OUTRO DELES USAVAM ELMOS DE FERRO, ALGUNS CHAPÉUS DE DIFERENTES MODELOS OU PANOS AMARRADOS À CABEÇA (COMO OS PIRATAS). OS HOLANDESES, MELHOR EQUIPADOS, ATACAVAM MAIS ORDENADAMENTE COM ARCABUZES, ESPADAS E LANÇAS DE 10 PÉS DE COMPRIMENTO (LANÇAS COMPRIDÍSSIMAS). ENTRE OS DOIS GRUPOS, VEMOS UMA BARRICADA DE MÓVEIS DAS CASAS DA CIDADE DE OLINDA COMO MESAS, CADEIRAS, BAÚS, ETC. EMBORA SEJA UMA CENA ABERTA, A INTENÇÃO É FECHAR, AO MÁXIMO, NA IMAGEM DE MATIAS DE ALBUQUERQUE. É IMPORTANTE NOTAR QUE MATIAS DE ALBUQUERQUE ESTÁ TODO CHAPINHADO DE SANGUE PORÉM NÃO É SANGUE DELE MAS SIM SANGUE RESPINGADO DOS OUTROS DURANTE A BATALHA. CONVÉM MENCIONAR QUE, NESTE PERÍODO, A FORMAÇÃO TÁTICA DOS PAÍSES BAIXOS ERA COMPOSTA DE ARCABUZEIROS ADIANTE, OFICIAIS E BANDEIRAS NO CENTRO E PIQUEIROS (LANÇAS) ATRÁS: O FAMOSO TERÇO. OUTRO DETALHE IMPORTANTE DE SE MENCIONAR É QUE AS ARMAS DE FOGO ERAM POUCAS E DEMORADAS PARA CARREGAR, SUAS BALAS ERAM REDONDAS (BOLINHAS DE FERRO) E DISPARADAS POR UM SISTEMA NO QUAL UMA CORDA ACESA COM FOGO COLOCAVA FOGO NA PÓLVORA E PROVIDENCIAVA O DISPARO DESTA BALA. OBS: APESAR DE MUITAS REFERÊNCIA AQUI COLOCADAS POSSAM SERVIR DE INSPIRAÇÃO, LEVAR EM CONSIDERAÇÃO QUE ELAS SÃO DE EXÉRCITOS ESPANHÓIS OU DE OUTROS PAÍSES E, PORTANTO, FAZER OS DEVIDOS AJUSTES PARA A REGIÃO E PERSONAGENS ENVOLVIDOS.

TEXTO: OLINDA, TARDE DO DIA 16 DE FEVEREIRO DE 1630 DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

MATIAS DE ALBUQUERQUE (GRITANDO): RESISTAM, HOMENS! RESISTAM! NÃO DEIXEM QUE OS HEREGES HOLANDESES TOMEM AS RUAS DE OLINDA! DEUS ESTÁ CONOSCO E HÁ DE NOS DAR FORÇAS CONTRA ESSES SEGUIDORES DO SATANÁS!

TEXTO IDENTIFICADOR: MATIAS DE ALBUQUERQUE, GOVERNADOR E COMANDANTE SUPREMO DAS CAPITANIAS DE PERNAMBUCO, ITAMARACÁ, PARAÍBA E RIO GRANDE DO NORTE.

OBSERVAÇÃO: OS CAMPOS DESCRITOS COMO “TEXTO IDENTIFICADOR” SERVEM PARA INDICAR AO LEITOR QUE É AQUELE PERSONAGEM. PODEMOS USAR UMA ESPÉCIE DE FOLHA RASGADA PARA INDICAR QUE É O PERSONAGEM OU OUTRA SOLUÇÃO QUE O DESENHISTA JULGAR MELHOR.

 

PARTE 2 – OS ESTUDOS VISUAIS

Antes de começar a desenhar o roteiro, algumas vezes é preciso desenvolver visualmente os personagens. Vários estudos foram feitos até eu e o Carlos chegarmos a um consenso sobre vários personagens. Abaixo, mostro apenas a versão final dos estudos que fizemos a respeito de Matias de Albuquerque.

E, da mesma forma como é feito um estudo para os personagens, também é feito um esboço da página antes dela ser, de fato, desenhada.

No exemplo abaixo, mostramos duas opções de rascunhos feitos para a primeira página do roteiro (Aqui apresentada). A primeira mostra uma página que não foi aprovada pois Matias aparecia de costas para o leitor dificultando sua apresentação. O segundo rascunho mostra a página melhorada mostrando Matias de frente mas que também não foi aprovada pois ele estava com uma distribuição das armas inconsistente. A página aprovada vocês vão ver mais a seguir na parte 3 – Desenhando a hq.

PARTE 3 – DESENHANDO A HQ

Rascunho (ou sketch como também chamamos) aprovado, Carlos começa a desenhar de fato (e pra valer a página). É neste momento onde todo o talento do artista brilha de forma espetacular. É um trabalho artesanal que envolve muita atenção e muito mais genialidade. E não pensem que é fácil não! Mas o resultado final é simplesmente lindo e totalmente gratificante para todos os envolvidos nesta produção.

A QUEDA DE OLINDA (Por Leo Santana e Carlos Eduardo Cunha) Pag 01 - Lápis

Primeiro vem o lápis

A QUEDA DE OLINDA (Por Leo Santana e Carlos Eduardo Cunha) Pag 01 - Aplicando Cores

Depois vem as cores toda em aquarela.

E, finalmente, temos a página pronta!

A QUEDA DE OLINDA - página 01 - prévia

A QUEDA DE OLINDA – página 01 – Por Leonardo Santana e Carlos Eduardo Cunha

 

Depois disso, é só aplicar as letras e partir para as outras 55 páginas que fazem parte dessa história fantástica cheia de ação e emoção.

“Pernambuco Holandês – A queda de Olinda”, é uma novela gráfica que mostra detalhadamente as primeiras 24 horas de luta que o exército privado holandês infligiu ao povo Pernambucano no ano de 1630 que, mesmo sem nenhum apoio da coroa espanhola , ofereceu a resistência que pode aos invasores.

O roteiro, escrito por Leonardo Santana e ilustrado e colorido por Carlos Eduardo Cunha, tem 56 páginas e faz parte de uma trilogia que se pretende contar toda a saga holandesa em Pernambuco de forma dinâmica, ágil e emocionante. O projeto está na fase de ilustração e na procura de editoras interessadas em publicar este material.

Para acompanhar as novidades a respeito deste projeto, curta a nossa página no facebook: https://www.facebook.com/pernambucoholandes/