Analisando Roteiro de Warren Ellis

Chamadas para o site-analisandoroteirowarrenellis

Estamos inaugurando uma nova seção no site dedicada à análise de roteiros de famosos para identificar pontos recorrentes em suas obras, verificar seus estilos e observar a interpretação feita pelos desenhistas para os seus escritos.

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Novo artigo falando sobre a criação de universos em hqs

Chamada Site-criação de universos

Já está disponível um novo artigo falando sobre a criação de universos dentro de uma história em quadrinhos com várias dicas e exemplos.

Para ler, clique em Sobre Universos.

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Leia também os outros artigos que já publicamos

Em busca da ideia perdida

Modelo de roteiros para quadrinhos versão 2.0

Sobre enquadramentos para hqs

Sobre roteiros e roteiristas

Tudo sobre personagens

***

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Reflexões de um roteirista: iniciando um roteiro

Writers-Block

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que isto não é um artigo.

Está mais para um fluxo de consciência mais ou menos dirigido, controlado. É onde eu irei lançar sem muitas pretensões, organização e objetivos definidos, pensamentos que tenho a respeito dos trabalhos em andamento. Pode-se dizer que será um misto de conversa interior com confissão (ou testemunho). É onde irei dizer o que estou fazendo, por que estou fazendo, quais os problemas que estou enfrentando e quais as soluções, ideias e direções que estou tomando. Tudo isto, é claro, oferecendo o mínimo de spoilers necessários.

Vou começar com o roteiro mais novo das novas Amazonas.

Como eu já esperava, a história chega sempre antes do título. O título para esta sétima hq das novas amazonas ainda não está definido. Já mencionei anteriormente que tenho este tipo de problema com os títulos. Eles são, quase sempre, a última coisa a me preocupar e uma das mais difíceis de se escolher (Bem, quase sempre, é verdade). Por enquanto ele se chama “As novas Amazonas 007.docx”.

Comecei este roteiro mais ou menos como eu começo sempre: o que eu quero mostrar nesta história?

Quero dizer, não penso em tudo o que eu quero mostrar ou falar, mas a ideia principal. Neste caso, eu queria que, depois da última aventura, as novas amazonas tivessem um momento de descanço antes do evento que iria bagunçar com todos os planos delas.

Bem, depois de decido que mostrar, fui escrevendo esta decisão na forma de um brainstorm mesmo. Quase como um detalhamento do roteiro de forma grosseira. Algo mais ou menos assim:

“Nesta história, Isolda treina Athena. Athena conversa com Helena. Lolita e Jasmim saem para procurar mantimentos. É uma história bem leve até que, do meio para o final, …”

Escrevi mais algumas linhas gerais explicando o que ia acontecer com as personagens (Cada uma delas) nesta história e, de quebra, já adiantei neste brainstorm, algumas ideias para as próximas aventuras (ou melhor, as linhas gerais para as próximas).

Para facilitar ainda mais o meu trabalho, depois de rascunhar a ideia geral da história, tentei detalhar ainda mais algumas coisas que iriam acontecer na história. Sempre sem me preocupar se daria para mostrar tudo o que eu queria na hq ou não. Preocupei-me, neste momento, em, simplesmente, distibuir as personagens e suas ações ou intenções principais.

De posse dessas informações iniciais, chegou o momento de construir um esqueleto da história para saber o que dava para mostrar e em que ordem elas seriam apresentadas. Mas eu deixo para falar sobre isto em uma outra oportunidade.

Escrever parece tão fácil

Silêncio: Homem trabalhando (ou tentando)

Silêncio: Homem trabalhando (ou tentando)

Para mim, escrever é uma tarefa que requer, acima de tudo, tempo e disposição.

Analisando meus trabalhos, a construção dos meus roteiros, pude perceber algo que, de certa forma, entristece-me um pouco. Embora escrever seja o que me dá mais prazer, não é uma atividade que eu desempenhe de forma tão constante e eficiente o quanto eu gostaria.

Tomemos por exemplo este roteiro sobre a invasão holandesa em Pernambuco que estou escrevendo. Comecei em meados de julho e 3 meses depois de iniciado, só escrevi 39 páginas até o momento. Isto se dá principalmente por dois motivos: primeiro, para escrever, eu preciso de uma certa paz de espírito e disposição que não são tão comuns de encontrar no dia a dia. Em segundo lugar, sempre quando vou escrever, procuro complementar o que estou escrevendo com pesquisas e busca de referências visuais o que torna o trabalho bastante lento e o resultado, em número de páginas, pequeno.

Explicando melhor cada um dos motivos, temos, no primeiro caso, o fato de que, para alguém casado, com filho, que trabalha em uma atividade não ligada as artes e que exerce um cargo de chefia, responsabilidade e comprometimento as vezes maior do que deveria, só consigo escrever quando estou completamente relaxado e despreocupado, quando sei que terei tempo suficiente para me dedicar aos meus roteiros sem ser interrompido e quando estou intelectualmente disposto. Algumas vezes tudo pode estar alinhado para que eu consiga escrever mas daí eu sento em frente ao computador e não sai uma letra sequer pois, intelectualmente, naquele momento, não estou disposto. Ou seja, o corpo quer mas a cabeça não. E isto é péssimo por que, num período de 30 dias (em agosto),eu escrevi apenas 8 páginas de roteiro. É claro que estou falando apenas deste projeto. Devo ter escrito e feito outras coisas relacionadas com quadrinhos mas, para este projeto, só rolou isto.

No segundo caso, cada vez mais tenho procurado ancorar minhas histórias em pesquisas e referências. Algumas vezes passo horas pesquisando, lendo, vendo (e baixando) imagens. Tenho feito cada vez mais este tipo de trabalho pois estou percebendo que os desenhistas não estão se aprofundando tanto neste quesito quanto eu gostaria. Não são todos, é claro, mas é uma coisa que estou percebendo cada vez mais. Por exemplo, você pode citar o período onde se passa a história mas, mesmo assim, o desenhista pode colocar coisas que não existiam nesta época. Em relação às minhas pesquisas, para o que estou escrevendo, nem sempre consigo coisas que realmente são, de fato, aproveitadas. Mas, em todo caso, fica um arcabouço de conhecimento que serve não só para as histórias que estou escrevendo mas para futuras histórias. Quer um exemplo disto? Pesquisando sobre navios e roupas de época, acabei me desviando e lendo um monte de artigos sobre piratas que já me deram ensejos para futuras histórias.

Pesquisa visual: Mosquete, Arcabuz, acessórios e funcionamento.

Pesquisa visual: Mosquete, Arcabuz, acessórios e funcionamento.

Para compartilhar com vocês meu processo criativo, eis abaixo um histórico de alterações no roteiro que estou escrevendo sobre a invasão holandesa em Pernambuco até o momento.

Data – Versão – Descrição
18/07/2015 – 0.01 – Início da construção do roteiro. Redação das páginas 1 a 3 do roteiro.
19/07/2015 – 0.02 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 4 A 7
21/07/2015 – 0.03 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 8 E PARTE DA 9
22/07/2015 – 0.04 – RECONSTRUÇÃO DA PÁGINA 8 E 9(PÁGINAS FORAM TOTALMENTE REESCRITAS) E CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 10.
25/07/2015 – 0.05 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 11
25/07/2015 – 0.06 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 12 E 13
27/07/2015 – 0.07 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 14 E 15
04/08/2015 – 0.08 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 16 E 17
10/08/2015 – 0.09 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 18 E 19
22/08/2015 – 0.10 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 20 E 21
25/08/2015 – 0.11 – RECONSTRUÇÃO DA PÁGINA 21 E CONSTRUÇÃO DAS PÁGINAS 22 E 23
12/09/2015 – 0.12 – INCLUSÃO DE DIVERSAS IMAGENS DE REFERÊNCIA E CONTRUÇÃO DAS PÁGINAS 24 E 25.
20/09/2015 – 0.13 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINA 26 E 27.
21/09/2015 – 0.14 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINA 28 E 29
24/09/2015 – 0.15 – CONSTRUÇÃO DAS PÁGINA 30 E 31
03/10/2015 – 0.16 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 32
12/10/2015 – 0.17 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 33 E 34
22/10/2015 – 0.18 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 35
24/10/2015 – 0.19 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 36 E 37
02/11/2015 – 0.20 – CONSTRUÇÃO DA PÁGINA 38 E 39

É isso pessoal. Espero que tenham gostado dessa troca de experiências e espero ainda mais que eu consiga apertar o passo de minha produção e trazer mais histórias ao mundo.

Roteiro e arte: A Volta do Papa Figo, página 1

Olá Pessoal,

Eventualmente estarei publicando em meu blog, páginas de roteiro e arte. O “como era” e o “como ficou”. A intenção, além de compartilhar experiências, é de mostrar que a cabeça do roteirista e do desenhista trabalham em ritmos diferentes e, isso pode ser uma coisa excelente ou não. Neste primeiro caso, em específico, eu acho que ficou muito boa a interpretação do desenhista em relação ao que foi descrito no roteiro aumentando a imersão do leitor no drama vivido pelo personagem preso.

Um pequeno detalhe que chamo a atenção é que esse roteiro é de 2007. Hoje em dia sigo uma formatação diferente com letras maiúsculas. Mais à frente vou disponibilizar um roteiro mais atual para vocês perceberem a diferença.

Esta hq foi publicada originalmente na Prismarte 45 em dezembro de 2007.

Sem mais delongas, segue o roteiro e a página desenhada

LayoutSugerido

Quadro 1

Interna. Tempo indefinido. Quadro todo escuro. Representa a inconsciência de nosso personagem número 1, chamado aqui, simplesmente, de RAPAZ.

Legenda: “Olá-á !!! Vamos, vamos, bela adormecida!!!”
Legenda: “Está na hora de acordar!!!”

Quadro 2
O quadro escuro começa a clarear a partir de um ponto de luz, uma lâmpada acesa no teto. Mesmo assim, nesse quadro, não vamos mostrar toda a luminosidade dessa lâmpada para simularmos para o leitor a sensação do ponto de vista do rapaz que está acordando.

Legenda: “Oh, assim está melhor, querido!!!”
Legenda: “Pensei que você ia perder toda a diversão!!!”

Quadro 3
Close nos olhos do rapaz que acabara de acordar. Seus olhos estão semi-cerrados, ofuscados pela luz forte, e há lágrimas e suor pipocando pelo seu rosto. Uma fita adesiva tampa sua boca. O homem é um garoto de seus 22-25 anos, cheio de juventude e masculinidade. Um desses garotos de academia, pró-geração saúde e que cuida de sua aparência com uma vaidade acentuada. Eu poderia dizer que ele é, simplesmente, um metro-sexual, mas todos esses cuidados se devem a natureza de sua profissão. Ele é um garoto de programa. No final da história, deixaremos isso mais claro. Obviamente, quase nada do que eu falei sobre o rapaz, se aplica neste quadro onde vemos apenas um close de seu rosto. Mas achei melhor já descrevê-lo em essência antes de continuarmos com a história.

Papa-Figo em off: Oh, a luz está forte ?!?
Papa-figo em off: Não se preocupe. Logo, logo, você se acostuma com ela!

Quadro 4
Close num dos punhos do jovem, amarrado com grossas cordas. A saber: o jovem está amarrado numa mesa de inox – tipo de hospital – mas em fora de um T. Ou seja, o garoto está amarrado como um Jesus crucificado deitado. O punho em questão está retesado como se tentasse, em vão, soltar-se.

Legenda: Calma,calma, meu querido!!!!
Legenda: A festa verdadeira ainda nem começou e você já quer ir embora ?!?

Quadro 5
Close no rosto do papa-figo com um leve sorriso irônico e maligno. Ele possui um belo e bem cuidado bigode loiro. Em nenhum momento dessa hq, veremos os olhos do papa-figo que estarão sempre envoltos na escuridão.

Papa-Figo: Ta certo, eu admito: Não deve ser muito agradável para você !!!
Papa-Figo: Mas, pode acreditar…

A Volta do Papa-Figo (Por Leo S e Dell Rocha) Pag 01

A Volta do Papa-Figo (Por Leo S e Dell Rocha) Pag 01

Controle de Versão de roteiros e hqs

Depois de perder muito roteiro, de perder versões do mesmo roteiro e de ter todos os meus trabalhos bagunçadas em pastas diversas em meu computador, resolvi instalar um servidor de controle de versões para gerenciar melhor meus trabalhos.

A grande vantagem de um controle de versões é que eu posso recuperar qualquer versão modificada para trás e manter um histórico do que foi mudado. Também fica mais fácil fazer um back up de tudo o que está guardado.

Separei 2 pastas principais. Uma para colocar as HQS produzidas e outra para colocar os ROTEIROS. Em ambas, existem dois sub-grupos principais: Séries (F.D.P., Andrômeda, etc.) e Gêneros (Terror, ficção, etc.). Nas pastas das hqs, cada hq possui uma sub-divisão para incluir os tipos de páginas que podem ser produzidas (Como pode ser visto abaixo): Lápis, Arte-final, cores, legendadas, diversos e pds (Arquivos Photoshop).

Abaixo, um printscreen dessa organização. Ah, o programa de controle de versões é o tortoise e o servidor é o Visual SVN.

CONTROLEDEVERSÃO

Novo roteiro em produção: A Vingança dos Amaldiçoados

A Cruz do Patrão

Comecei hoje a escrever um novo roteiro de terror inspirado no encontro que tivemos com o pessoal do Recife Assombrado. Trata-se de “A Vingança dos Amaldiçoados”, um roteiro baseado nas lendas que envolvem um lugar em Recife chamado de  “A Cruz do Patrão”. Um lugar cheio de história de crimes violentos e aparições inexplicáveis.

Do ponto de vista didático, caso alguém esteja interessado, comecei o brainstorm desse roteiros há alguns dias quando iniciei uma pesquisa sobre histórias de assombração em Recife. E, dentre elas, encontrei uma que dizia ser a Cruz do Patrão o lugar mais assombrado de Pernambuco.

Então, após uma pesquisa rápida para gerar algumas idéias, comecei a bolar na minha cabeça a estrutura da história e a motivação dos personagens envolvidos na mesma.

Hoje, depois de achar que as pontas soltas estão interligadas, decidi que era hora de começar.

Bem, vamos ver o que acontece.

Tentarei, na medida do possível, atualizar as informações sobre esse roteiro como numa espécie de “Diário de um Roteirista”,ok?